riacho

sexta-feira, maio 05, 2017

Se ela desse meia volta e olhasse o reflexo do espelho, veria como um riacho.
A questão estava na falta de percepção no olhar das pessoas.
À primeira vista, entre o verde grotesco, ele era apenas um pequeno riacho cru em seu início, sem grandes feituras. Para um olhar atento, um pouco mais à frente se via as ondulações que se formavam e se desfaziam em águas mais largas, e mais largas, e mais largas. Bastava apenas acompanhar o que o riacho tinha a oferecer e estava disposto a mostrar caso o outro tivesse sensibilidade ou interesse, coragem talvez, por estar lindando com algo que não mostra de primeira toda sua beleza.
O riacho ao se desnudar era de beleza tal qual a nossa natureza imaginária, era grande, forte, quente por dentro, destemido em seu avançar, volumoso não apenas externamente mas por si só. Então se descobria que ele era cativante, pois quando compreendido em sua totalidade era algo realmente belo de se ver e gracioso de se estar perto.
Seu reflexo era o de um riacho.

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