Viagem: SP

17 de agosto de 2016


Por algum motivo besta eu sempre acreditei que não gostaria de São Paulo e nunca fiz muita questão de conhecer a cidade. Quando fui pela primeira vez fiquei com uma vontade de voltar mais por curiosidade que por paixão, diferente de como foi com Ouro Preto, por exemplo. Das vezes que voltei para São Paulo, a cidade foi me conquistando aos poucos, até que eu passei à amá-la, e é muito bom amar uma cidade.

Eu me vi indo do nada para lá nessa última vez, meio sem querer meio sem saber direito o que tava fazendo e com um empurrãozinho de bom ânimo da Bruna C. mesmo sem ela saber tão bem (hahaha, brigada Bru). Foi a primeira vez que viajei de ônibus para fora do Rio de Janeiro e já estava esperando uma viagem péssima já que não consigo dormir em viagens, além de um misto de pensamento que atrapalhava tudo. Acabou que como era de madrugada e como tinha tomado um remédinho eu dei uma cochilada bem ali no meio da viagem. Cara, chegar em uma cidade pela rodoviária é simplesmente fantástico. Já tem uma estação ali na Tiête, me resolvo muito bem com metrô, obrigada, cheguei no meu bairro nuns minutinhos.



Nessa viagem eu estava mal. Foi um par de dias depois do golpe com a Dilma, e foi simplesmente um choque pra mim ela ter saído, no dia que de fato isso aconteceu eu fiquei o dia todo chorosa, e quando fui pra SP, ainda estava, então achava até que seria bom ter um momento só meu comigo mesma para me recuperar um pouco.
Tomei café numa padaria perto de onde estava e fui para o MASP. O primeiro andar do museu estava com a exposição Histórias da Infância. E foi um paque.
Era uma exposição voltava para crianças e ela estava maravilhosa. Os quadros em uma altura abaixo do normal, na altura das crianças, legendas mais amplas, explicativas, e diversos quadros de diferentes países, retratando a infância de diferentes culturas sem pena em mostrar a realidade ou fazer uma crítica construtiva. Se eu já estava mal, eu fiquei pior vendo como crianças já são submetidas à preconceito racial ou de gênero, como elas precisam se inserir num sistema educacional já tão ultrapassado e que as limita de mil formas.
Acabei a exposição já meio que correndo e com o coração completamento apertado.





Então eu subi e fui para a exposição permanente do museu, em que as obras do acervo da instituição são apresentadas novamente nos cavaletes de cristal da Lina Bo Bardi, o que isso por si só já carrega um baita de um significado.
As primeiras obras apresentadas são de artistas europeus, pinturas da elite européia que estamos completamente acostumados a ver dentro de quadros mais acadêmicos. Eu estava mal e completamente crítica, tinha inserido mil questões políticas nos últimos dias, aqueles quadros simplesmente me fizeram não me fizeram bem e eu mal olhei cada um deles, fui mais passando rápido até chegar próximo ao fim das obras onde apareciam nossos artistas brasileiros modernos com todo um cunho político e social, que contradizia completamente com os primeiros quadros que vi ali e que significavam tanto, mas tanto, eu só soube chorar. Dei meia volta, desci meio que correndo para o banco do MASP que dá de cara para a Avenida Paulista e chorei me importando um pouco se estava sendo julgada pelas pessoas ao redor, mas sinceramente não tinha muito o que eu pudesse fazer. Nessas horas sou grata por ter pessoas que me compreendam tão bem como minhas irmãs, porque foi à elas que eu recorri tentando explicar o que estava acontecendo comigo ali naquele momento.

Já recomposta um pouco no hostel eu conheci a Camila, e ai lembrei que a melhor coisa que existe nessa vida são pessoas. Que a melhor coisa que existe em viajar é conhecer pessoas. Estávamos as duas mortas de fome então acabamos no Holy Burguer e que hamburguer bom meus amigos! Já tá no meu roteiro voltar lá na próxima ida à SP.


Viajar sozinha tem dessas de ter que lidar com você mesma. Nessa viagem eu mesma era um misto intenso de muitos sentimentos. Em uma noite fui para a varanda e ouvi Marcos Almeida, enquanto falava com Deus, e Ele começou a falar comigo de volta, especialmente quando tocou Sê Valente. E sabe quando você tem umas questões ali dentro que precisam ser tratadas e nem sabe? Quando você tem um misto que não sabe descrever muito bem o que é, mas o Pai vem e põe a limpo, te compreendendo ao mesmo tempo que cura? Foi bem isso que aconteceu. Comecei a enxergar um monte de coisa que carregava dentro de mim e nem sabia e comecei a enxergar a partir de uma perspectiva completamente nova para mim, da perspectiva que Deus enxergava e estava querendo me mostrar.


Também dei uma volta pelo Ibirapuera e é oficialmente o maior parque que já visitei. Fui na feira da Liberdade, e comi uns rolinhos primavera muito dos bons. Fui almoçar na Vila Madalena e me perdi tentando achar o Beco do Batman.

Voltei pra casa com bem menos questões dentro de mim e com um amorzinho por São Paulo, onde já já estarei de volta ainda esse ano. <3



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