Sobre séries e sobre mulheres

3 de agosto de 2016


Aqui em casa somos conhecidas como as Bragas, o que infelizmente não inclui meu pai, visto que esse sobrenome vem da minha mãe. Se fôssemos incluir meu pai, seríamos conhecidos como a família Peixoto, o último sobrenome de todos aqui de casa.
Isso pode representar um pouco nossa família: 4 mulheres (mais Mia, nossa cachorrinha) e 1 único homem, papai.
Sempre foi dito que quem manda aqui em casa são as mulheres, naturalmente acaba não sobrando muita voz pro meu pai, apesar dele ter voz sim, porque ele é muito inteligente, então quando fala, tem o que falar.
Então pra mim é bem interessante quando vejo séries onde enxergo isso também, uma família dominada pelas mulheres, que ganham força se unindo e que praticam de forma natural a sororidade.

Eu não gostava muito de Gilmore Girls quando era adolescente, eu via mas não curtia muito, achava muito sem graça.
O Netflix anunciou o lançamento de uma nova temporada para a série e começou todo o auê na internet, inclusive entre as minhas irmãs, que antes de liberarem todas as temporadas no Netflix elas baixaram tudo e começaram a ver.
Fui fisgada pela curiosidade e resolvi rever o primeiro episódio só para saber também o que eu poderia achar da série, hoje, vendo com um outro olhar, é claro, já que mudei muito desde a última vez que assisti. E cá estou eu na terceira temporada, amando a série e achando tudo maravilhoso.

Adoro vários pontos, que poderia destacar aqui em relação à série, mas um que eu quero pegar pra falar sobre, é a construção das personagens, em especial as protagonistas, as duas Gilmore, Rory e Lorelai.
Elas são pessoas completamente reais, carregadas de sentimentos, opiniões, com defeitos e um tanto de qualidades. No decorrer de vários diálogos e momentos que elas passam, você pode parar e pensar "hey, eu e sei exatamente o que é isso". Talvez, exatamente por isso, algumas pessoas não gostem da série, por ser muito simples, por não ter grandes explosões de acontecimentos ou personalidades no decorrer das temporadas, só tem duas mulheres vivendo suas vidas em Star Hollows.
Mas mesmo nessa simplicidade, nós conseguimos ver o quão fortes, corajosas e independentes as Gilmore são.

A Lorelai é demasiadamente egoísta em vários momentos, mas ela também sabe enfrentar os pais quando eles resolvem se meter na criação da Rory. Ela foge dos caras quando deveria enfrentar aquilo de frente, mas também mostra que não precisa de nenhum deles do lado dela para criar a filha ou dar um jeito na vida dela.


A Rory é totalmente determinada naquilo que quer, e se esforça para conseguir. Mesmo sendo mimada várias vezes, ela não tem carência de aceitação em um colégio que é totalmente fora da sua realidade, em que ela poderia ter medo das pessoas e de suas opiniões e tentar mudar para se encaixar ali, mas ela continua na dela, sendo que ela simplesmente é, dá sua opinião sem receios e acaba até conquistando as pessoas porque ela simplesmente tem coragem de ser ela mesma.

Podemos falar da grande questão da Lorelai querer ser amiga da Rory ao invés de mãe muitas vezes (apesar de eu achar que ela é mãe quando precisa ser) mas ao invés disso, queria dar destaque para a relação delas. Que relação incrível e totalmente possível! Possível porque elas respeitam o espaço uma da outra, mas sempre estão presentes quando precisam estar. Possível porque apesar das duas terem seus dias de mal humor e momentos de egoísmo, elas sempre conseguem reconhecer os problemas entre elas (mesmo quando acham que nunca vão concordar uma com a outra sobre determinado ponto) e baixar a guarda, pedindo desculpas e dissolvendo a briga. Porque elas cuidam uma da outra, seja falando verdades ou com um abracinho nas horas certas.

Além disso, é muito legal ver uma série que estreou em 2000 usando já o termo "feminista", ver uma série que destaca a figura feminina, como a Hillary Clinton, e que mostra mulheres fora de uma imagem esperada para uma personagem feminina. Por essas e outras que sigo perdendo noites de sono vendo episódio atrás de episódio dessa série.



Ainda estou na terceira temporada, então tudo que falei até aqui é baseado no que vi até o momento, ok?



Ps.: Eu também ia falar da série Jane The Virgin, dentro dessa mesma perspectiva de dar destaque para as mulheres, porque está sendo bem legal acompanhar ao mesmo tempo duas séries que tem como figura central uma família formada por mulheres. Mas achei que o post ficaria grande demais, então semana que vem volto para falar da Jane.

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