Minha relação com a minha área

24 de janeiro de 2016

Ou: aquela com um pequeno desabafo.

Se você me conhece tem uns anos aí, provavelmente você sabe que minha primeira opção de vestibular era Engenharia Química, pois é, terminei em Museologia. Mas muita gente não sabe exatamente porque essa mudança veio, e graças a Deus a vida me mostrou que não estava errada no meu pensar.

Eu não tinha lá muita vocação para nada, mas gostava de química e física (ouso dizer que ainda gosto, apesar de não ter um contato direto com essas matérias há anos). Achava que era raridade ser boa em exatas, e junto com o discurso do meu colégio de que a gente precisava passar num curso top (e difícil, claro) que nos desse um retorno financeiro muito bom, acabei indo pra Engenharia Química, mais por pressão que por escolha própria. Nunca me vi de fato feliz com essa escolha, lá no fundo eu não estava, sabe? Mas estudava feito uma louca para passar nesse curso, já que eu havia escolhido, de uma forma de outra, ao menos ia passar. Só que meu pensamento era limitado ao vestibular, e no máximo nos anos que passaria dentro da faculdade.

Pra ser bem sincera, no meu ensino médio o momento que eu iria trabalhar e pagar minhas contas era um momento, uma realidade, muito distante, parecia que eu nunca me tornaria esse adulto, até a realidade da faculdade (mesmo estudando para aquilo) era distante e longe de mim.

Um dia conversando com um professor meu, ele me falou que o pai era engenheiro químico e me falou um pouco da rotina dele de trabalho, foi a primeira vez que tive um insight sobre como seriam anos da minha vida se eu me formasse nesse curso, e pensei finalmente, com seriedade, como seriam as matérias e estudos dentro da faculdade. Eu não curti nem um pouco.
Se antes eu não estava satisfeita com a minha escolha, depois de pensar nessas coisas, eu fiquei menos ainda (hoje eu posso ver que tinham outros ângulos que eu poderia enxergar essa carreira, melhores, não o curso, mas a carreira sim).
Comecei a procurar mil e um cursos em todas as faculdades do Rio de Janeiro, e meio sem querer a Museologia caiu no meu colo, e caiu muito bem obrigada.
Vi a grade, as áreas de atuação e decidi que era aquilo. Depois que havia decidido (já tendo prestado o ENEM, o único jeito de entrar na única faculdade do Rio que oferece esse curso), fui conversar com o meu pai, que me deu todo apoio do mundo, mandando eu esquecer o retorno financeiro e focar no retorno pessoal.

Foi exatamente essa a chave da mudança dentro de mim quando optei por mudar de curso, já no período de prova dos vestibulares. Eu parei para pensar no que, de fato, eu queria para o meu futuro.

Pode parecer tudo místico e bonito mas é bem verdade, que eu naquele momento fiz a escolha de pensar em 4 ou 5 anos dentro de uma faculdade em que eu tivesse prazer, e por mais penoso as vezes que fosse ler tanto texto eu acharia prazer em todos eles, por outro lado, eu nunca gostei de matemática (só física e química) e sempre me esforcei muito pra passar nessa matéria no meu ensino médio. Eu optei por ter um emprego tranquilo quando saísse da faculdade, que não fosse dentro de uma empresa que só se preocupa com lucro, mas que meu trabalho ajudasse a sociedade de alguma forma, mesmo que indiretamente. Queria trabalhar sem ser em um ambiente super carregado, sem grandes focos em metas e fazer a empresa crescer e melhorar cada vez mais. A gente pode até trabalhar (e a gente trabalha) com metas e foco de fazer o museu crescer e melhorar sempre, é claro, mas não porque no final a gente visa um lucro, mas porque no final a gente quer oferecer algo realmente com qualidade pra sociedade. Eu escolhi não trabalhar no meio daqueles edifícios, com gente correndo o tempo todo, com pressa e pressão.

Fiz essa escolha há uns 6 anos e hoje estou colhendo dela, ainda bem. Mas isso parecer as vezes não fazer lógica na mente dos outros.
Porque eu não trabalho que nem máquina no meu local de trabalho, porque eu não acordo super cedo e vou dormir super tarde, porque eu não reclamo do meu trabalho, parece que minha vida é muito fácil. Muito ela não é, mas fácil ela é, e qual o problema nisso? Foi uma escolha que eu fiz.

Eu pego 11:30 no meu trabalho e saio 19. Consigo ir na academia de manhã, preparar meu próprio café, tomar um banho com calma, me arrumar com calma, e ainda chegar na hora. Trabalho com gosto e com calma. E ainda consigo sair do trabalho e encontrar uns amigos para papear se eu quiser. Essa minha rotina não deveria ser vista como algo negativo, porque a rotina do outro (de muitos outros) é bem mais punk e chata que a minha. Quando a pessoa fez uma faculdade e trabalha na área dela, foi apenas uma escolha tal qual como a minha também foi.
Pode ser que no futuro o outro esteja ganhando bem mais do que eu, com uma casa muito maior e um carro do ano, enquanto eu ainda estou andando de ônibus. Tudo é escolha.
Sei que no momento, eu estou bem satisfeita com a minha e leve também. Acho que isso deveria ser visto como algo bom e não como um incômodo.

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2 comentários

  1. #desabafos hahahaha
    Concordo com você! Se hoje a pessoa rala numa profissão que ela mesmo escolheu, não deve culpar os outros ou dizer que fulano tem vida fácil. São escolhas!
    beijo

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  2. CA-RA-CA! CARACA, acabei de conhecer seu blog, acabei de ler seu perfil e NOSSA, parece que temos muito em comum. Que louco! Eu curso Biblioteconomia, minha série preferida é one tree hill, também moro no rio e etc etc.. que legal se identificar assim rs.

    Bom, eu tenho essa mesma relação que você tem com a minha área, mas confesso que sofro de crise de identidade por as vezes achar que me contento com pouco, quando "o mundo é para os engenheiros, advogados e médicos". As pessoas ao meu redor querem sempre salários de 15mil, casas, carros, mega viagens à Londres e etc, e eu tô sempre feliz em querer ter uma casa e ajudar aos outros com minha fé na educação. Quer dizer, sempre não, as vezes eu fico triste por me achar com "mente pequena", pois acredito que é por pensar assim que não consegui nada concreto até hoje. Enfim.. foi um desabafo. rs

    Beijos!

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