Estagnada

11 de julho de 2015


Não sou do tipo de pessoa que se orgulha por não ter tempo. Não fico feliz quando digo que estou naquela correria e sem tempo para nada. Na verdade, amo poder dizer que posso qualquer noite daquela semana, quando alguma amiga vem no whatsapp chamar para sair. Amo dizer "verei esse fim de semana" quando alguém indica um bom filme que tem no netflix. Amo dizer que pude ver o último capítulo da novela porque estava em casa a toa.

Só que na nossa sociedade, ainda mais nas grandes cidades, como a que eu vivo, isso é algo um tico quanto raro. As pessoas correm o tempo todo e o tempo todo tem algo para fazer. Eu, sem querer, mesmo, me encontro nesse clube. Do lado de lá. Do lado oposto onde eu queria me encontrar.
Graças a Deus eu não vivo sem tempo porque estou trabalhando. Eu vivo sem tempo porque preciso estudar demais. Papo de universitário, eu sei. Mas pelo meu post anterior dar para perceber que a coisa anda meio frenética do lado de cá. 
A questão é que eu nunca me encontrei assim antes. Tenho sempre algo para fazer e parece que nunca consigo fazê-lo e ainda por cima não dou conta de tantas outras coisas que gostaria de conseguir fazer. Queria terminar várias temporadas de séries que parei brutalmente em algum episódio solto. Gostaria de ver alguns filmes no Netflix que estou postergando há tempos. Gostaria de conversar mais com minha mãe quando chego em casa. Gostaria de não enrolar o dia inteiro para responder meus amigos no whatsapp e conseguir manter umas conversas menos picotadas. Gostaria de ver todos os links que a minha irmã me manda e eu guardo para ver em casa, e fica lá. Gostaria de responder na verdade, todos os emails que recebo sem ficar postergando. Gostaria de conseguir ir em todos os encontros e reuniões que são do meu interesse. Gostaria de algum sábado sair de carro com minha irmã e vê-la finalmente dirigindo. Gostaria de pintar nos quadrinhos novos que mamãe comprou para mim. Gostaria de ler todo meu feedly sem ficar selecionando os posts mais interessantes. Gostaria de fazer umas comidas, especialmente o caldo de aipim que fiz e todo mundo amou tanto aqui.

Eu tento dar conta de tudo o que estou metida também e não consigo. Gostaria de dar conta de cumprir minha carga horária semanal no job e além disso sair com todos meus amigos que estou com saudade. O que é uma prioridade pra mim, então sempre quando marcam eu dou um jeito e vou, mas chego morta em casa e as 22h me encontro tomando café e iniciando meus trabalhos em frente ao computador, acordando morta na manhã do dia seguinte sem conseguir fazer nada.. Queria dar conta de todos os compromissos e grupos que me meto, que costumam me fazer perder o sábado todo. O único dia que conseguiria ficar em casa, mas ando passando a maior parte do tempo fora. 

Tanta coisa pequenina, do dia-a-dia mesmo que eu gostaria de fazer e não consigo. Ao mesmo tempo que parece que não saio do mesmo lugar em relação a minha monografia e ao meu projeto de mestrado.
E eu entrei em crise (algum dia eu já saí dela?) em relação a tudo isso. É muita escolha que preciso fazer e eu não tenho noção do que eu quero, então parece que eu fico paralisada. Parece não, eu fico mesmo. Não sei se quero realmente engrenar o mestrado com a faculdade, porque eu-não-consigo-mais-pensar-tanto. Quero uma pausa não do trabalho físico, mas do intelectual. Quero sair do trabalho, chegar em casa e poder fazer o que eu quiser, porque meu Deus, eu não preciso sentar e ler mil textos nem produzir nada. Mas se eu for pro mestrado, sei que terei poucos dias da semana também com aula e o resto dela toda livre pra mim, e se eu montar direitinho minha grade talvez eu consiga dar conta de tudo o que quero. Fico pensando que se eu vier mesmo a passar no mestrado, e sair do mercado de trabalho, como eu faço para voltar para ele dois anos depois? Porque eu sei como funciona o mercado na minha área e sei que isso é um risco que terei que escolher. Mas eu vou querer voltar para ele ou engrenar no doutorado?
Mas meu amigo tem uma ideia louca de morar por 6 meses pelas estradas da América Latina e me parece empolgante entrar nessa com ele. Mas e quando eu voltar? E pra conseguir ir?

A cabeça não para um minuto, e não chega a nenhuma conclusão sobre qual rumo ser o melhor para mim. Fico aqui com um turbilhão (esses são só alguns dos milhares) de pensamentos que mal me deixam conseguir dormir e sem conseguir conversar com a minha mãe quando chego do trabalho, mas também sem conseguir estudar como deveria, porque quando paro para estudar fico me perguntando se estou focando na coisa certa.

Ontem eu sai com uma amiga, para comemorarmos algo maravilhoso, e para ela tentar me dar uma iluminada em todos esses pontos. Já ajudou tanto! Como conversar com alguém, ser levada a olhar por outros ângulos, com mais clareza algo que você mal enxergava, ajuda tanto. Parece que estou conseguindo encontrar um rumo. Certinho? Não. Mas um rumo.
Acho que só vou descobrir como tudo continua depois da minha formação, no próximo período, no final desse ano mesmo.
Agora o que eu preciso é conseguir sair desse lugar onde estou, onde estagnei, e dar uns passos adiante mesmo saber muito bem para onde. 


#autoajudadodia por @ca_mattafonseca! Pra gente lembrar de não se afobar. E pra entender que é de passo em passo que se chega lá!    http://instagram.com/ca_mattafonseca


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