Eu e meu mundo paralelo

quinta-feira, março 19, 2015


Minha irmã Debs tem uma falta de resistência contra teste de personalidade, de forma que quando ela esbarra com algum por aí ela sempre termina fazendo e compartilhando comigo e com quem mais for possível.
Essa semana ela mandou um desses testes, mas um realmente bom, tão bom que eu repassei para uma companheira de trabalho. Ela no meio das perguntas me chama, lá da outra mesa de trabalho, super empolgada falando que uma das perguntas era muito eu, que com certeza eu marquei o máximo de sim que tivesse (tinha níveis de "sim" e níveis de "não") e que ainda desejei que tivesse mais níveis de sim. Segue a pergunta:

"Você se perde nos seus pensamentos com frequência, ignorando ou esquecendo dos seus arredores."

Então, né? O que eu posso responder diante dessa frase além de um sim infinito?
Essa mesma companheira, meses depois que eu havia entrado no estágio veio me perguntar se eu vagava muito por aí, querendo deixar claro que não, isso não é normal Sarah Braga, porque eu respondi tranquilamente que sim, eu vagava. Coisa que claro, já havia sido percebido por ela com certa facilidade.
Já semana passada outra companheira de trabalho passou por mim na portaria do nosso prédio totalmente despercebida pela minha pessoa, e eu fico me perguntando como isso aconteceu tendo a portaria o tamanho que tem, tão pequena coitada.

Mas essas coisas não me surpreendem, são pequenos fatos que já fazem parte do meu dia-a-dia. Viver sendo notificada de coisas que ocorreram, comigo ali presente, e eu nem ter percebido já faz parte. Como quando estava na delegacia com mamãe e dois policias passaram pelo portão que estava na nossa frente, com armas imensas, segurando um preso e eu só fui saber que isso ocorreu porque mamãe me contou.
O que me surpreende até hoje é como, em um outro trabalho eu me sentei para almoçar com mais duas pessoas, pessoas as quais não era corriqueiro eu almoçar junto, e daí que quando acabei de almoçar e desci minha amiga veio me perguntar sobre o que elas falaram durante todo o almoço e eu fiquei tipo "hm.. é.. ah..". Me lembro de estar sentada bem ali no meio das duas pessoas, comendo tudo o que havia levado para o trabalho naquele dia, das bocas ao meu redor gesticulando sem parar mas não me lembro de nenhuma palavra. Nenhuma. Mas eu tinha acabado de descer do almoço. Estive sentada ali do lado delas, enquanto conversavam e simplesmente não me lembro, porque estava no meu mundo sem prestar uma atenção sincera ao que ocorria ao meu redor. Isso me assusta até hoje, porque meu Deus, como que eu não ouvi uma palavra sequer?

Nenhuma dessas coisas me afetam negativamente. As vezes ficar divagando ou pensando em outros problemas, e até pode ser mais interessante do que ser atenta a esse mundo.
O problema se inicia nas minhas arrumações para sair de casa.

Queridos, eu acordo horas antes (sempre quando é possível) da hora programada que preciso sair de casa.
Me delicio um tico lendo meu feedly, meu twitter, respondendo no whatsapp, tomando café da manhã, invejando a vida alheia no instagram. Então resolvo me levantar para me arrumar e ai mergulho mais ainda no meu mundo paralelo. Porque enquanto faço as coisas ditas anteriormente as vezes caio nele mas volto, pelo fato de sempre ter um relógio por perto para me trazer de volta, me lembrando que tenho hora e coisas a serem feitas. Mas não quando escolho a roupa, arrumo a bolsa, entro no banheiro, ah amigos, quando eu entro no banheiro. 
Debaixo da água eu esqueço porque existo e que tenho compromissos daqui à 1h. Enquanto escovo os dentes. Massageio o cabelo. Me seco... Eu só volto para a realidade muitos minutos depois quando estou terminando as coisas que tenho para fazer ali dentro e começo a pensar no que farei quando sair do banheiro. Dai volto para a realidade, mas aí já se foram vários minutos que teria para almoçar com calma, por exemplo.

Eu, que mesmo acordando horas antes do programado para sair de casa, sempre acabo passando protetor solar, lipbalm e um bb cream correndo porque um terço dessas horas que teria para ter uma manhã calma e me arrumar tranquilamente eu perco em um mundo paralelo que depois eu nem me lembro de ter estado lá. Pois é.



Ps.: Estou super atrasada para sair de casa, porque me perdi no meu mundo enquanto finalizava esse post. Lá vamos nós correr de novo.
Crises

Quando me toco que sou adulta

segunda-feira, março 16, 2015
Em vários momentos da minha vida já parei ali, no meio da ação, e me toquei que tinha me tornado adulta. 
Então resolvi listar, porque não?

1. Quando como sozinha em algum restaurante/ lanchonete e afins.

2. Quando vou para a cozinha fazer qualquer comida que eu queira na cara e na coragem.

3. Todo final de mês quando transfiro dinheiro para a poupança. E se eu transferir muito pouco sinto umas pontadas de tristeza.

4. Quando compro passagem ou planejo toda uma viagem sem meus pais terem noção de que estou fazendo isso, e tudo bem. (Saudades bilhete de autorização pra mandar pro coordenador do colégio, sqn).

5. Quando vou no mercado sozinha e compro coisas além de chocolate e biscoito. Me sinto muito uma pessoa independente que sustenta uma casa.

6. Desde que passei a ganhar meu primeiro salário e nunca mais peguei nem um real sequer com os meus pais.

7. Toda vez que chega carta/ conta com meu nome em casa. 

8. Sempre quando resolvo mil e uma questões burocráticas, contrato, coisas da faculdade... sem qualquer ajuda de gente mais velha.

9. Sempre quando viajo sem alguma pessoa da minha família.

10. Quando vou na farmácia comprar remédio.

11. Quando saio no final do expediente com amigos.

12. Agora que estou lidando com toda essa questão de saúde do meu pai e burocracia que ela trouxe junto.

14. Quando tomo café da manhã na rua.

15. Todas as vezes que tomo um cafézin no trabalho. Tem coisa mais adulta (pessoa que cresceu vendo série)?

16. Todas as vezes que eu tenho reunião, seja com o meu orientador, seja no meu trabalho. Mas especialmente mais com o meu orientador.

17. Quando vou desbravar algum lugar do Rio de Janeiro ainda totalmente desconhecido por mim e vou me virando nos trinta.

18. Todas as vezes que opto por tomar café ou suco ao invés de toddy.

19. Quando conheço pessoas interessantes da minha área e consigo manter um bom diálogo por algum tempo.

20. Quando digo que vou prestar concurso público ~porque estou me formando~.

21. Em todas as situações bestas e pequenas em que anos atrás pediria ajuda para alguém mais velho e hoje me viro lindamente bem sozinha.

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