Questão de ser

26 de novembro de 2014

Amadurecimento é algo doloroso. Você vai descobrindo verdades que aparacem cada vez com mais frequência e se vê obrigado a ter que conviver com elas, sem saber exatamente como. Não é porque você descobriu uma que alguém do seu lado também terá descoberto e irá te compreender quando você quiser falar sobre. Para ser honesta, parece que as pessoas ao seu redor estão alheias a tudo isso e você não sabe nem como tentar começar uma conversa sobre essas tais verdades.
Quando você vê uma pessoa que é capaz de ter uma conversa contigo e te ajudar a entender um pouco mais sobre aquela verdade nova, acaba sendo daquelas oportunidades que a gente não deixa escapar.

Uma verdade não necessariamente tem que ser algo grande. Algo que mude toda sua vida e te faça querer ser um outro alguém. Pode ser algo menor, uma simples nova descoberta, que no final acho que acaba sendo algo grande dentro de você, por causar incômodo. Qualquer que seja ela, será um tico doloroso, porque costuma fazer amadurecer.

Fazer você enxergar as coisas, ou a coisa só, por outro ângulo diferente daquele que você está habituado e deliciosamente acomodado. Te dá uma nova visão que você não sabe ainda como lidar muito bem. Não sabe muito bem como agir frente a ela.

E elas não param de chegar, até que a sua cabeça fica um pequeno caos. Faz parte.
Nessa hora, olhei para as pessoas mais próximas e vi que todas elas tinham seu pequeno caos. A vida estava uma bagunça em alguns pontos, cheia de incerteza e eu percebi que isso é a vida.


Talvez depois de certa idade não tenha mais como conviver sem incertezas e um acúmulo de pontos que estejam bagunçados. Simplesmente faz parte.

O que eu precisei foi mudar a postura como eu comecei, sem perceber, a lidar com tudo isso.

Quando era adolescente (e que fase amigos!) eu ficava cismada com os adultos, me perguntando em que momento da vida deles, eles perderam o fôlego frente a vida e toda essa beleza que ela é. Acabei chegando a conclusão que pode ter sido mais ou menos aonde eu estou. Eu, naquela época, achava que nunca fosse entendê-los, porque não conseguia ver como se perde algo tão fantástico. Eu, hoje, acho difícil viver sorrindo com tanta facilidade quando sei de tantas verdades e sou capaz de enxergar a sociedade como enxergo. É doloroso demais amadurecer.

Dessa minha época resta a minha visão de que tudo depende do ângulo que irei encarar a vida. Em alguns posts por aqui já comentei como nós temos o desgraçado costume de dar realce para as coisas ruins muito mais que para as coisas boas. E esse não é o ângulo que eu quero encarar a vida. Porque deixar que a falta de perspectiva dos outros, suas mentes fechadas, deixar que todos os poréns e esbarros com os aborrecimentos  do dia a dia sejam o centro disso que chamamos de vida e do nosso humor?
Me peguei pensando nesse meu eu adolescente e imaginando como eu estaria um pouco frustada comigo agora, me perguntando como eu cheguei aqui. Achei melhor dar uma pausa, conversa comigo no auge dos meus 14 anos, receber uns conselhos e então voltar.

Amigos, eu ando rindo muito mais.


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1 comentários

  1. Que gostoso poder ler essas palavras singelas!
    "É doloroso demais amadurecer." Sim, e, infelizmente, a gente tem que aprender certas lições por nós mesmos longe de papai e mamãe. Frutos das nossas escolhas...
    Sabe, eu tenho tentado sempre ver a vida por um ângulo diferente, desapegar do sofrimento e preocupações pra tentar ser mais feliz. E vc colocou uma questão muito importante, que é sair mais do nosso mundinho e perceber que os outros também tem problemas e afins.
    Texto lindo!

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