A experiência de Cuba, ou quase isso.

22 de novembro de 2014



Esses dias fui editar vídeo, aproveitei para fazer a limpa das fotos e passar tudo para o HD externo, escrevi muito sobre Cuba (por conta de um artigo meu que deve sair aí) e de quebra uma amiga minha declarou viagem marcada em forma de mochilão pela linda América Latina (beijos Vê!) e eu to alok com ela falando disso. Isso tudo fez bater uma saudade, saudade também das férias já que voltei a rotina e o final de semestre está no limite das minhas forças. 

Só sei que no meu último post eu prometi voltar para falar mais de Cuba, mas todo meu tempo livre já está é ocupado e nunca tenho cabeça também para vir aqui escrever. 
Quando fico muito tempo sem postar a vontade de escrever só aumenta e aumenta, e vejo mil coisas que renderiam posts, que eu adoraria falar, mas a maioria eu acho tão pessoal para vir aqui escrever e acabo desistindo. Com essas coisas que contei aí em cima (vídeo, fotos, amiga..) a vontade de escrever sobre Cuba já ultrapassou os limites, transbordou e aqui estou eu.

Organizei, planejei, juntei grana, me preparei pra essa viagem por 10 meses, basicamente. Esse período pré-viagem eu acho fantástico! Fizemos tabelinha POR DIA com quanto gastaríamos e tudo (mochilão de estagiário é isso aí) e super indico, achei que seria metódico demais, e nem foi, além disso pra quem tá com pouca grana super vale a pena! 
A vontade da viagem acontecer logo era imensa, por motivos óbvios: Cuba! (uhul!) e férias! Estava necessitando mesmo, mesmo, de umas férias e tirei no estágio 15 dias e me dei 18 dias de férias no meio do semestre (recomendo galera). Fora isso, a companhia seria ótima, pessoas com o mesmo espírito que o meu, mente aberta, na mesma vibe e primeira viagem longe de fato da família, já que lá "não tem internet" e só mandei 5 sms para uma irmã minha.

E lá fomos nós.

Já chegamos na terra de Fidel batendo papo com o taxista que nos buscou e uma coisa ele falou e eu levei pra viagem, foi "Em Cuba não tem arma. Você não será assaltado a mão armada". Um dos pontos mais fortes da ilha é a segurança. Ser carioca é tenso, e ter essa alma carioca é mais tenso ainda. Nos dois/ três primeiros dias ficava toda tensa e preocupada andando pela rua a noite deserta e bah, até que passamos por um episódio pegando um táxi coletivo que depois eu me senti tão, mas tão besta, e boba e estúpida que me permiti viver de verdade a tranquilidade daquele local e foi a melhor coisa para ter todo o restante da trip com o espírito tão bom.
Você anda a noite nas ruas que não são bem iluminadas e tudo bem. Mesmo. Sem neura, sem medo. Não consigo imaginar um assalto em Cuba para falar a verdade. No máximo um furto, de carteira ou grana, sem a pessoa nem notar, algo sem violência alguma, e olhe lá!

Falaram muito sobre assédio por lá e realmente rola. Na bairro menos turístico que fiquei nos primeiros dias não rolou assédio algum. Depois que fomos mais para Havana Velha a coisa começou. É gritante a diferença de quando andava com o Yuri e quando andava sem ele. Os caras mal olhavam quando ele estava perto. Era sair só eu e Nath sozinhas que pronto. Como também nos restaurantes que deixavam a conta sempre mais perto dele, quando não entregavam diretamente a ele. Ou quando pegamos um táxi e o taxista se apresentou somente a ele! Fiz questão de falar com o taxista para ele ver que eu e Nath também estávamos ali e pedi para ele parar para comermos, ele virou para o Yuri - me ignorando solenemente - e perguntou se ele (Yuri) estava com fome. Oi? Pois é.
Machismo está aí em qualquer lugar, infelizmente. O que posso dizer é que as cantadas que levo no Rio são bem piores e mais nojentas, lá eles falam coisa mais boba, ainda assim ridículas e totalmente desnecessárias.  

Imagina nossa surpresa ao nos depararmos com coca no primeiro restaurante que vamos na ilha?

Levei muito miojo para comer na viagem. Sério! Fomos cheios de estratégias que falharam logo no primeiro dia e a Nath me ensinou a comer miojo cru, vou levar pra vida. Mas basicamente vivíamos de café da manhã na casa onde ficamos, que vale a pena, pizza, macarrão e sorvete. Saudades sorvete. 


Minhas refeições principais haha

Basicamente comia qualquer coisa de manhã (algum biscoito que havia levado), a tarde comia pizza (aquelas de peso nacional, que são os "podrinhos" de cuba, mas são deliciosas, mesmo! Custam cerca de 15 pesos nacionais, menos de 1CUC, uma ótima forma de economizar) e a noite comprava um sorvete de chocolate ou de baunilha com flocos de chocolate. Delícia de vida.  Planejamos gastar 12 CUC por dia com comida e é possível comer bem com menos, uns 3 dias só que devo ter gastado os 12 CUC. 

Mas nos últimos dias eu não parava de sentir fome e segundo a Nath era meu corpo me avisando que não estava comendo todos os nutrientes necessários, por que será?

                     

Eles tem esse refrigerante, o "refresco" deles, que varia de 0,75CUC a 1,50CUC, dependendo do local e região onde você compra. O de cola é o refrigerante mais perto da Coca-Cola que eu já experimentei, muito igual mesmo! Tomávamos uns dois ou três desses refrescos por dia (tem de limão, laranja, abacaxi e cola) e era tipo um paraíso refrescante em meio ao deserto. Porque que calor! E ai vinha um refresco e alívio rs.



A especialidade de Cuba, quando o assunto é gastronomia, são os frutos do mar. O cardápio dos restaurantes são muitíssimo parecidos e eu aproveitei para comer muito camarão e também comer lagosta, o preço se comparado com o Rio é bem em conta, então meti a cara rs. O acompanhamento dos pratos que era o problema, a comida é muito sem gosto, sem graça. Por isso preferia ir de pizza muitas das vezes.
Mas, em compensação, nunca comi uma pasta de alho tão gostosa como uma que veio com a lagosta que pedi num restaurante homenageando o Pablo Neruda que fomos lá em Havana. Delícia demais!



Falando em homenagear, os cubanos amam fazer isso e tem várias estátuas para personalidades de outros países e em especial eles tem um carinho pelos Beatles. Pois é, tem a praça John Lennon que falei no outro post, tem também um centro cultural/ bar chamado Submarino (amarelo) também em Havana e fomos em um bar chamado Yesterday em Trinidad que tocou muito Beatles, claro, e muito rock.



Música é outra coisa que reparei muito por lá. Eles amam música, é fato. Todo taxi que pegamos (coletivo ou normal) tocava música, alta, muita. Nas casas as pessoas ouviam e muitas das vezes nacional. Ouvimos algumas versões de músicas brasileiras também regravadas por cubanos ou a versão oficial mesmo, como também ouvimos muita música norte-americana do momento. Fomos em uma lanchonete comer ~pizza~ e nos deparamos com a Miley Cyrus dançando na tela da TV.
Eu quis muito conversar com algum jovem e saber sobre inúmeras coisas lá, como o acesso as músicas por exemplo, já que hoje em dia a gente vive para baixar na internet e nem todo mundo lá tem acesso e a internet é lerda já que é discada (agora as coisas estão melhorando já que eles fecharam um acordo com a Jamaica que vai possibilitar internet melhor). Além disso, conversar sobre a educação deles, a política de acordo com eles e tudo mais.


Conversei mesmo foi com alguns adultos e eles são tão bem informados, tem tanta opinião, algo bom de se ver. Ficamos por lá no período das eleições presidenciais aqui no Brasil e o Victor (o senhorzinho dono de uma das casas onde ficamos) conversou sobre a plano de governo da Dilma e do Aécio com a gente, tão bem, mais bem informado que muitos brasileiros que troquei uma ideia por aqui. No dia que os resultados saíram já no café da manhã ele veio perguntar se sabíamos quem havia ido para o segundo turno porque ele já tinha os dados do resultado e queria informar a gente, mas já sabíamos graças a minha irmã, que informou tudinho (beijos Ester). Com todos torcendo para a Dilma levar essa, claro.


Com o Victor conversei muito sobre política e só pude confirmar um tanto de mentira que falam por aí sobre a ilha e confirmar algumas questões que eu havia dúvida e queria tirar. Mas a questão é, só buscar bem suas fontes e terá acesso a informação verdadeira. Acho que não cheguei lá com nenhuma verdade que tenha caído por terra, (ou seja, tendo acreditado em alguma das milhões de merdas que falam por aí) na verdade só confirmei umas que havia dúvida. Eu aprendi umas novas com o Victor, isso sim.
Como os médicos cubanos que vão para todos os lados do mundo. Eles quando saem do país, deixam o posto que estavam ocupando vazio, isso faz com que um cubano que antes andava uma quadra para ir a um clínico geral, agora passe a andar três, já que o outro foi trabalhar temporariamente em alguma outra região. Ou seja, só dificulta mais a vida deles, já que, segundo o Victor, os médicos estão cada vez mais longe, pois eles saem para ajudar outros países. E o que eles acham sobre isso? Tudo bem. Afinal eles precisam de médico e pessoas no norte do Brasil também, se existe uma maneira dos dois terem (mesmo que isso traga mais trabalho para eles) essa é a melhor maneira então. Solidariedade. Já tinha lido muito sobre isso, mas essa foi uma das coisas que só indo para lá para comprovar mesmo. E comprovei, de verdade.

Solidariedade. Acho que isso é o que mais aprendi com eles e quero tentar levar de verdade para vida. 

Teria tantas outras coisas para falar, talvez fale mais nos outros posts que farei com fotos das outras cidades que fui, fora Havana. 
E se fosse falar tudo também não caberia aqui ai haja paciência né!

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1 comentários

  1. Nossa, parei aqui, vi o post sobre Cuba e enlouqueci momentaneamente. Vontade não me falta de conhecer a ilha, seus encantamentos e seu povo, justamente pra tentar quebrar essas representações (pró ou contra) que a gente carrega... Deve ser uma experiência incríveeel! Vou ler o outro post que você escreveu já e alimentar minha esperança de um dia poder visitar Fidel, hahahah. Bj

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