Pela não crise dos vinte e poucos...

4 de agosto de 2014


Ontem eu estava em um local bacana, com muito verde e com amigos. Ao invés de ficarmos sentados conversando, resolvemos andar por aí conversando. Estamos todos nos formando (uma amiga já está formada), com emprego/ estágio/ bolsa. Então a conversa fluiu por esse caminho. Monografia, entrevista de emprego, paixão pelo que faz...
A gente foi conversando e se abrindo, quem tinha paixão pelo o que fazia confessava, quem não tinha também confessava. Um em especial que não tinha, assumiu isso e disse que quando se formasse ia prestar vestibular para fazer aquilo que ele realmente amava. Foi o mesmo que levantou a questão de gastar o dinheiro que ele ganha no trabalho dele, naquilo que ele gosta e tem prazer ao invés de investir em um "futuro seguro".

Hoje eu li mais um post em um blog, sobre a tal crise dos vinte e poucos anos. Eu fiz 20 anos esse ano, ano que vem, com 21 me formo na faculdade e no momento não estou passando por crise alguma. A tal da crise não vem no início dos 20 anos, pelo o que eu vejo, ela vem ali do meio para o fim, depois dos 25, sabe?
Mas pensando sobre isso e depois de ler um bom número de posts de pessoas que estão ali, nos 25 adiante, eu percebi algumas coisas.
Nós todos recebemos os mesmos ensinamentos, que hoje é relativamente distante da nossa realidade: se formar (pra ser alguém na vida ~suspiro muito longo~), se casar (pra enfim ser completo) e chegar na casa dos 30 com casa própria que tenha um quarto já ocupado com filhos (ai sim você mostra que venceu na vida).
Então quando temos 15 anos e ainda temos uma mente inocente e fora da realidade, pensamos que isso vai acontecer assim, exatamente como planejado. 


Até certo ponto eu ainda achava que teria algo do tipo, acho que até os meus 17/ 18 anos, que foi quando percebi que ser solteira é algo muito bom e comecei a pensar se um dia eu casaria mesmo. 
Agora com os meus 20, minha mente, óbvio e ainda bem, mudou mais ainda. 
Eu não tenho muitos planos para o futuro. Hoje lendo esse post, em algum blog, sobre mais uma crise dos 20 e poucos anos, percebi que o que posso fazer de melhor é viver o hoje. 
Com esse post que li, ficou explícita a preocupação de alcançar objetivos, acertar alvos futuros e concretizá-los, que parece não haver espaço algum para a pessoa se realizar agora, no momento. Por que estar bem se ainda não me formei, enquanto todos meus amigos postam fotos de formatura? Por que ser feliz se não tenho um emprego que me dá estabilidade financeira? Por que ser feliz se ainda não comprei meu apartamento?
Há uma preocupação tão grande em alcançar metas até certa idade, que o presente parece ser útil apenas para construir esse futuro, mais nada. Não há espaço para prazer e felicidade enquanto não se risca todos esses pontos na lista "to do" da nossa vida. Não há como ser feliz, ou ter satisfação ou orgulho da própria vida sem ter nada daquilo. Quão louco isso é?

Naquela conversa que tive com meus amigos, enquanto caminhávamos por caminhar, para conversar, colocamos em cheque o "por que juntar dinheiro para ter minha própria casa no futuro, se no momento estou feliz morando com meus pais e viajando para onde eu quero nas minhas férias?".
E é exatamente isso. 
Eu não quero uma casa agora e nem sei quando irei querer ter, então porque me preocupar com isso agora? Deixar de viver bem o hoje para viver sempre bem no amanhã.
Se você quer se casar e tem poupança para comprar sua casa e ter seus filhos, faz o correto, se é isso que lhe trás felicidade. Mas eu que não tenho nenhum desses planos, ao invés disso eu pego meu dinheiro e o gasto com as coisas que me dão prazer hoje. Não vivo para um amanhã incerto. 

Tem gente que se realiza quando compra uma casa, a arruma do jeito que quer, se casa com 25 anos e já tem dois filhos com 30. Se a pessoa é feliz, eu fico feliz por ela, fico mesmo! Curto a foto no facebook e tudo. Mas acredite, existem outros caminhos para a felicidade.
Somos pessoas diferentes, seria assustador se só houvesse uma forma de ser feliz para pessoas tão diferentes umas das outras.

Eu não planejo comprar uma casa própria, não planejo ter um carro do ano, não planejo ter 3 filhos com 30 anos ou ter um emprego que me dê estabilidade financeira com 25 anos. Se isso ocorrer e eu estiver feliz, tudo bem, as pessoas também mudam. Mas se isso tudo não ocorrer ok, eu escolhi outro caminho para me realizar. Eu posso estar fazendo meu mestrado, namorando, morando sozinha num apartamento alugado com poucos móveis, trabalhando em um museu qualquer, viajando nas férias e comendo no restaurante legal  e baratinho da esquina com os amigos no final de semana. Quem disse que não há felicidade nessa vida?

O que podemos aprender com nosso eu de 15/ 16 anos é não planejar, não fazer uma agenda a ser cumprida nos próximos anos, porque a vida não funciona dessa forma. Aprender a não construir um molde e se forçar a se encaixar ali dentro. Especialmente, aprender que não há porque pôr a felicidade só no futuro e ver ela se frustrando a cada objetivo não alcançado. Não tem porque ser feliz só quando "a vida dos sonhos" (assim, bem clichê mesmo) se concretizar. Seríamos todos felizes muito tarde, se um dia chegarmos a ser! Não há porque pôr a felicidade na próxima década quando há felicidade na conclusão da monografia (quando você fala de um tema que você gosta). Quando há felicidade em viajar pelo próprio Estado nos feriados pelo meio do ano. Quando há felicidade em ser solteira se conhecendo e se aproveitando. Quando há felicidade em comer pizza com os amigos numa noite de pijama boba.

Saia dessa e aproveite a vida sem crises ilógicas!

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3 comentários

  1. Sarah, mais uma vez, a filósofa da família.
    Ficou muito bom o post.
    Só queria entender a minha foto ali em cima haha, levei um susto!
    Beijo
    http://www.debsupertramp.wordpress.com

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    1. hhahaahhaahha

      eu tentei comentar no seu blog nos últimos posts, mas não foi menina!
      você demostra a liberdade no inicio do post hahahaha

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    2. nossa, menina! i'm free. tnks!

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