O melhor pai do mundo!

10 de agosto de 2014

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva do Rotaroots! Grupo saudosista dos primórdios do mundo blogueiro.




Lembro uma vez, quando eu era criança, que estava andando na rua, da minha antiga casa, com o meu pai e ele sempre demorou para responder, então para chamar logo a atenção dele, falei repetidas vezes "pai, pai, pai, pai, pai!" e ele respondeu repetidas vezes "oi, oi, oi, oi, oi!". Foi algo besta, mas que eu achei tão engraçadinho na época. Porque a maioria dos outros pais perderiam a paciência fácil, não levariam a coisa com humor como ele fez, e ainda faz. Porque ele continua demorando para responder e eu continuo o chamando assim.

Por causa desses detalhes, especialmente na leveza para levar a vida (que fica explícita no alto nível de paciência que ele tem) e o seu bom humor, eu desejava de verdade um dia ser como ele. Mesmo quando criança, eu sabia reconhecer que eu tinha como pai um dos caras mais incríveis desse mundo, ao ponto de eu achar minha mãe sortuda demais por conseguir ter um marido tão incrível e pensava que queria ser sortuda que nem ela também um dia haha.
Uma outra vez, também na nossa rua, quando a gente voltava para casa, eu lembro que até falei isso para ele: "Você é incrível pai, quero ser como você quando crescer" e ele ficou meio sem graça haha.

Se quando eu era criança eu já reconhecia as qualidades dele, hoje em dia, que vejo as coisas de forma mais clara e entendo um pouco mais sobre a vida, só consigo confirmar cada vez mais que Deus foi bom de uma forma indescritível comigo ao me dar o Sr. Edinho como pai.

A forma como você leva a vida. Você já passou por inúmeras crises e nossa família por algumas, e o senhor sempre está com um sorriso no rosto, com sua leveza e seu jeito amável. Não conheço mais nenhuma pessoa assim. Tão justo e bondoso. Não tenho uma memória onde o senhor reclama da vida e está de cara feia. Porque até quando você se estressa e fica sério é só brincar contigo que você já volta a rir.


Eu passei por uma crise meio fedonha entre meados do ano passado até meados desse ano. Um dia estava no quarto, sozinha, meu pai entrou e disse que queria conversar comigo. "Filha você não está bem, não está mais com toda a sua alegria contagiando a casa, como costuma ser. Me fale, o que está havendo?". Com uma preocupação sincera e pronto para ouvir tudo que eu havia para falar sem qualquer julgamento, apenas querendo me ajudar. E ajudou. Eu chorei, ele ouviu, aconselhou e minha crise, de quase um ano, simplesmente foi embora. Uma conversa, com o meu pai! Quantas pessoas tem essa sorte?

A nossa relação é toda baseada em confiança, respeito e amor. Eu admiro tanto os meus pais por terem conseguido construir uma relação assim comigo e minhas irmãs! Uma relação em que eu não preciso mentir para eles, porque a gente pode conversar e se entender, sempre. 

Então pai, eu amo nossas saídas de carro por aí, seja para ir ali na esquina, ou quando você me busca em algum local, só porque ter sua companhia é um prazer. Amo ir até o ponto contigo, porque são 10 min de conversa contigo de manhã. Amo nossas conversas teológicas. Amo ter um pai-google, que me informa toda palavra que eu não sei o significado dentro dos campos: teologia e política. Amo nossos almoços de domingo com pastel de feira e conversa fiada. Amo que você tem paciência para ouvir e tentar responder todas minhas dúvidas e questionamentos. Tem paciência com todas as minhas brincadeiras infantis, até hoje. 

Uma vez eu e mamãe sonhamos que o senhor havia morrido e dentro de todos os sentimentos que já invadiram o meu peito, esse de longe foi o pior de todos. Nesse dia vê-lo entrar no quarto enquanto eu chorava querendo te abraçar foi um alívio imenso. Eu nunca o tinha visto chorar, e acho que esse dia foi o único até hoje que eu o vi chorar, enquanto me abraçava e eu não conseguia conter minhas lágrimas. Por mais contraditório que seja, esse abraço foi um dos melhores que já dei na minha vida, por poder senti-lo vivo e quente perto de mim.
Vê-lo ficar cada vez com mais cabelo branco e ruguinha dá um aperto no meu coração, porque eu não quero sentir algo como o que senti esse dia nunca mais. Porque pensar que um dia eu posso perder o melhor homem da minha vida dói muito.

Então vamos continuar aproveitando cada pequeno momento da vida, como você me ensinou. Andando de carro juntos pelo Rio de Janeiro. Dando e recebendo beijo de boa noite todo dia. 

Obrigada por aquela memorável guerra de bolinha de papel, onde nossa sala só tinha isso pelo chão. Por todas as brincadeiras descalça na rua. Por todos os arranhões e ossos quebrados por causa dessas brincadeiras. Por todos os cachorros que eu já tive! Por ter me ensinado a andar de bicicleta (nossa, era muito bom!). Por todas as bolas, mesmo elas sempre caindo no quintal do vizinho, você não se importava e comprava sempre uma nova pra eu e Débs brincarmos no quintal. Por todo esforço e preocupação em volta da minha educação. Por me permitir construir meu próprio caminho/ futuro, apenas me apoiando e aconselhando, e não querendo escolher por mim. Por respeitar meu espaço e me permitir escolher e errar. Obrigada por sempre estar lá e eu saber que você sempre estará.

Obrigada. Por mais que eu viva o resto da minha vida tentando de diversas maneiras te agradecer, sei que nunca vou ter demonstrado minha gratidão o suficiente. Boa parte do que eu sou é uma dívida eterna minha contigo. Você todos os dias, com a sua existência me mostra um pouco mais a beleza da vida.


Eu te amo, com o maior amor que uma filha pode ter por um pai, e com muito respeito também, porque eu continuo querendo ser algo pelo menos parecido com o senhor quando crescer. 

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