Tô com sintoma de saudade

25 de abril de 2014

Porque a gente sempre está com saudade, a gente sempre quer se ver, quer se abraçar, colocar o papo em dia.

"Saudades, saudades..." é como iniciamos ou terminamos uma conversa, mas nunca estamos disponíveis para matar aquela saudade ali e agora, mesmo que já estejamos um de frente para o outro (as vezes com uma tela de computador entre nós), porque a gente sempre tem outra coisa para fazer, e mesmo que naquele momento a gente esteja de bobeira só com várias abas (sem muita importância) abertas ou apenas correndo pra pegar o ônibus e chegar logo em casa, nossa mente está tão cheia de coisas de aqui e acolá que mesmo que nós quiséssemos, nós não estaríamos livres um para o outro aqui e agora.
Então fica sempre para depois. Depois a gente conversa, depois a gente marca, depois a gente se liga, depois a gente se fala. Mas o depois só se arrasta junto com a saudade dentro do coração.
Porque a gente nunca se liberta um para o outro, as outras coisas de alguma forma sempre parecem mais importantes agora, mesmo que a gente grite por ai que nada poderia ser melhor que amor e amigos.

A culpa do depois é a falta de tempo, ou falta de dinheiro pra ir naquela exposição, no boteco ou na pizzaria.
Mas talvez a culpa seja da nossa falta de disposição, nossa preguiça encoberta por mil desculpas, nossa vergonha por saber que talvez quando estivermos pessoalmente ali frente a frente surja aquela vergonha entre nós como consequência de todas as entrelinhas e histórias e caminhos que surgiram e agora desconhecemos por conta dos depois, depois, depois.

Porque se quiséssemos mesmo, simplesmente fecharíamos todas as abas, pegaríamos o ônibus às 23h, chegaríamos atrasados nos outros compromissos, dormiríamos um pouco menos... tudo pra matar essa saudade que insiste em permanecer.

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