Amizade

Tô com sintoma de saudade

sexta-feira, abril 25, 2014
Porque a gente sempre está com saudade, a gente sempre quer se ver, quer se abraçar, colocar o papo em dia.

"Saudades, saudades..." é como iniciamos ou terminamos uma conversa, mas nunca estamos disponíveis para matar aquela saudade ali e agora, mesmo que já estejamos um de frente para o outro (as vezes com uma tela de computador entre nós), porque a gente sempre tem outra coisa para fazer, e mesmo que naquele momento a gente esteja de bobeira só com várias abas (sem muita importância) abertas ou apenas correndo pra pegar o ônibus e chegar logo em casa, nossa mente está tão cheia de coisas de aqui e acolá que mesmo que nós quiséssemos, nós não estaríamos livres um para o outro aqui e agora.
Então fica sempre para depois. Depois a gente conversa, depois a gente marca, depois a gente se liga, depois a gente se fala. Mas o depois só se arrasta junto com a saudade dentro do coração.
Porque a gente nunca se liberta um para o outro, as outras coisas de alguma forma sempre parecem mais importantes agora, mesmo que a gente grite por ai que nada poderia ser melhor que amor e amigos.

A culpa do depois é a falta de tempo, ou falta de dinheiro pra ir naquela exposição, no boteco ou na pizzaria.
Mas talvez a culpa seja da nossa falta de disposição, nossa preguiça encoberta por mil desculpas, nossa vergonha por saber que talvez quando estivermos pessoalmente ali frente a frente surja aquela vergonha entre nós como consequência de todas as entrelinhas e histórias e caminhos que surgiram e agora desconhecemos por conta dos depois, depois, depois.

Porque se quiséssemos mesmo, simplesmente fecharíamos todas as abas, pegaríamos o ônibus às 23h, chegaríamos atrasados nos outros compromissos, dormiríamos um pouco menos... tudo pra matar essa saudade que insiste em permanecer.
Beleza

No ser mais lindo que eu conheço não há beleza

segunda-feira, abril 21, 2014
Ontem estava pensando sobre o ser mais lindo que eu conheço, como não há beleza nele, e como nós lidamos com beleza.

Se qualquer um o visse passar pelas ruas, não daria por ele muita coisa, seria só mais um passando sem nada para ser ressaltado. Isso se olhado de forma superficial. Se parassem para conhecê-lo veriam que ali há mais beleza do que se pode captar.

Nós todos somos assim, eu sou assim. Nós olhamos superficialmente todo o tempo.
Essa é uma das várias coisas que não gosto em mim e tento mudar esse tipo de atitude e mentalidade, mas não é algo tão simples quando se é criado em uma sociedade que dá tanto valor a beleza. Eu até tenho coragem de abrir a boca para falar que não ligo para isso, se me perguntassem, por ter consciência do quão superficial isso é, acho que muita gente daria a mesma resposta. Mas no fundo, fundão mesmo, quantos de fato não ligam? Acho que poucos. Quando somos testados no dia a dia só que  percebemos que ainda há algo nesse nosso fundo, fundão. Desarraigar isso de nós é um processo, não ocorre simplesmente.

Mas vejo amigos meus que não são cheios de beleza, seja fisicamente, ou nas atitudes, forma de se vestir, andar, falar e tudo mais, serem desvalorizados por isso, por essa suposta falta de beleza.

Depois que conhecemos a pessoa, viramos amigo íntimo e tudo o mais, até esquecemos que um dia não a achamos bonita e enxergar beleza se torna algo mais fácil, porque de fato enxergamos a real beleza que é pra ser enxergada.
Mas não poderia ser assim desde o princípio? Ao invés de enxergar a roupa muito estranha, todo o mal jeito e esquisito, enxergarmos que ali há beleza?

Rola implicância da minha parte quando vejo uma pessoa vestida de forma esquisita, não é nem mal vestida (apesar de isso ser uma consequência, mas um não precisa ser necessariamente o outro). Quando vejo uma pessoa usando umas combinações bem bizarras e que no fundo parecem não transmitir nenhuma identidade dela. Aqui eu poderia até me defender de alguma forma falando que isso é reflexo da própria pessoa, e é mesmo, todo mundo sabe disso. Mas ainda assim há algo de belo ali com toda a certeza.

Já hoje conversando com minha amiga pensei mais ainda sobre essa questão toda na nossa geração que é tão ligada a internet e consequentemente as redes sociais. Com vida artificialmente perfeita no instagram e facebook, e óbvio que quanto mais bonito na foto, mas perfeito é, melhor será para postar.
Várias vezes já pensei em criar um segundo instagram só mostrando os momentos chatos e tão corriqueiros do dia a dia, um "falso" instagram ao mesmo tempo que tão real, sabe? Aquele por do sol que babou porque choveu ao invés de postar só por do sol lindão no Rio, o trânsito engarrafado antes do encontro com as amigas e não a foto cheia de gargalhada como se não houvesse tido stress naquele dia, a cara amassada durante o dia bem diferente da cara maquiada de noite, o pão com ovo e não a sobremesa maravilhosa do restaurante e por ai vai. Mas me falta atitude para criá-lo e vontade para mantê-lo (ou seja, não ter preguiça).

Seria talvez um equilíbrio que é exatamente como nosso mundo é. Sem toda perfeição que a sociedade nos cobra e nós aderimos mesmo criticando a sociedade de volta.

Graças a Deus não me deixo ser levada por essa cobrança, vivo para mandar foto escrota minha para meus amigos nas redes sociais, posto foto fazendo careta, não ligo se me marcarem numa foto que sai com o cabelo horrível e saio com roupa amassada e cara lavada bem dizer todo dia (mas isso não quer dizer que saio mal vestida, antes que alguém atire pedra), porque opto por sono e conforto.
Mas é claro que eu também seleciono legal as fotos que vou postar e uso os melhores filtros, como ainda me deixo levar pela falta de beleza que há em uma pessoa quando na verdade ela é linda. Mas acho que um dia ainda chego lá.

Queria terminar como comecei, falando desse ser lindo que eu conheci que é meu melhor exemplo em relação a isso tudo que falei. Não liga de não ter a suposta beleza que a sociedade cobra como também não a procura nos outros. Realmente, realmente, quem sabe um dia eu chegue lá.


Qual das duas vocês acham que ganhou mais like?

Cara lavada e zero filtro.
Maquiagem dos olhos à boca e vários efeitinhos e filtro.
Filme

5 personagens que marcaram minha vida

terça-feira, abril 08, 2014
Ou: 5 personagens que eu gostaria de ser.

Cinco míseros personagens! É tanto filme, tanto livro, tanta série, tanta figura histórica que nem sei. Mas num momento de conversa antes de cair no sono, com minha irmã, que também tem um blog e que também fará esse post da Blogagem Coletiva, conseguimos chegar nos nossos cinco personagens. Difícil mas foi o que veio na minha mente de primeira e logo acho que são os mais sinceros.




Começar pela doce infância, ou não. Para minha mãe ok, poderia ter sido um tormento, mas eu daria uma vida para ter sido o Calvin na minha infância. Que é uma utopia porque logicamente o Calvin pensa muito além do que um pirralho de 6 anos, mas na nossa mente e no mundo dos blogs tudo é possível! HÁ. Sempre falo que quero um filho que nem ele, e segundos depois fico pensando e sentindo arrependimento por esse desejo. Mas fala sério, no final das contas seria incrível ter um filho que tenha essas viagens loucas, essas sacadas tão boas e únicas que só o pequeno Calvin tem. E aqui pensando, o  Xarope poderia perfeitamente bem ser meu Haroldo. Mas a única coisa que me aproxima do Calvin é que na minha infância eu era tagarela demais! E o Calvin tem hiper cara de ser um desses.


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Indo para a minha adolescência, eu poderia ser a Sam de A Garota Americana. Tenho muitos pontos em comum com ela e outros nem tanto. Esse livro, como já disse em uns 300 posts aqui é meu livro preferido da vida por razões puramente emocionais, e dai que numa das mais de mil releituras que já fiz dele, acabei me tocando com o quanto a Sam tem a ver comigo, coisa que nunca havia reparado de verdade antes, embora eu tenha relido esse livro todo ano umas duas vezes. Ela curte rock, é apaixonada por arte (tem um cachorro que se chama Manet, tem coisa mais amor?), ela tem paixão platônica pelo Heath Ledger, ela desenha (coisa que eu não faço, mas seria um sonho fazer, e eu me pergunto porque eu não faço...), ela é apaixonada pelo David que é amor platônico de adolescência gente! <3 hahahahaahaha.
Enfim, numa dessas lendo o livro tive um insight que a Sam falava muito de mim sem eu nunca ter percebido isso antes e talvez seja por isso ~também~ que eu curta tanto esse livro.



Batman, pode? 
Tinha que entrar um super herói aqui e o único que balança meu coração e sempre balançou desde minha infância é o Batman. Aquele que eu via os filmes na sessão da tarde, aquele que eu via os desenhos quando chegava do colégio e aquele que eu catava gibi na mini biblioteca do colégio. Até crescer e assistir a triologia do Nolan e me declarar apaixonada por Batman de carteirinha assinada e tudo. Do tipo que tem camisa do Coringa, porque a amiga viajou e trouxe de lembrança uma (beijos Darley!), que tem coleção de carrinho dele, ouve a trilha sonora do Hans Zimmer enquanto está no estágio, tem um livro incrível dele e ganha álbum de fotografia personalizado com uma página toda dedicada a ele, porque sabem que eu o amo hoho.
Batman tem as melhores qualidades que um herói pode ter: amor no coração, sabedoria, senso crítico e estratégias. Além de ser lindo como só o Christian Bale pode ser! Porque se eu fosse ser um homem tava bom ser o Bale hahahaha.


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Saindo do Batman, herói de Gotham City, indo pro chefe da Máfia de Nova York, o mais poderoso entre as famílias mais poderosas, o Don Corleone de Mario Puzo e Coppola, porque se eu posso arrematar ser um personagem de logo dois grandões como esses, eu irei né?
Os livros de Mario Puzo me conquistaram de tal forma que fiquei minhas férias de 2011 indo para a biblioteca da cidade durante 4 dias somente para passar a tarde inteira lá, lendo-os. O padrinho é uma pessoa que eu nunca, nunca, nunca seria, mas a história é contada de forma tão fantástica e bem escrita que te amarra do começo ao fim e você termina tendo admiração e respeito por esse Don. O cara tem todo seu lado negro mas é sempre associado ao bem de sua família e acreditando na purificação divina no fim da vida. Mas ele tem uma mente, que é admirável! Queria ser ele apenas pela mente dele e pela forma como ele se porta. Adoro pessoas que conseguem se controlar e mostrar pouco daquilo que realmente estão sentindo, Don Corleone é mestre nisso!
Talvez no fim das contas eu só o esteja colocando aqui porque ando relendo os livros e reassisti os filmes tem pouco tempo e eu sou realmente apaixonada por essa compilação de obras, dai foi algo que saiu e eu não resisti rs.


http://magnoliaforever.files.wordpress.com/2011/11/before-sunrise1.jpg

Para finalizar de forma doce, saindo desse meu lado negro, com esse personagem e essa foto, dessa cena que só Deus sabe o quanto eu amo. Celine de Before Sunrise/ Sunset/ Midnight. Eu poderia ser o Jesse, mas eu quero ser a Celine para ser o motivo (e receber) dos olhares mais apaixonados e encantadores que só o Jesse sabe dar.
Porque a história deles é idealizada por muita gente mas ao mesmo tempo é tão real e tão próxima de todos nós que não há como não se identificar, ainda mais com o último filme dessa trilogia que deixa essa realidade bem clara. Porque a Celine experimentou o verdadeiro amor (insira aqui suas dúvidas) e no final das contas passou por todas as dores que com ele vem junto, como é na vida mesmo. Sofreu, amou, se entregou, duvidou... como deve ser. 
O amor deles é algo bonito de se sentir enquanto acompanhamos o filme, mas a melhor parte para mim são todas as dúvidas que eles sentem junto com esse sentimento e todos os pontos de interrogação que eles levantam sem precisar deixar explícito nos diálogos (apesar de muitas vezes ficarem) e que caem como luvas nas nossas vidas. Porque eu adoro um drama que faz sofrer, que faz você se encher de sentimentos bons mas ao mesmo tempo de sentimentos inquietantes e que trazem um pouco de aflito, porque a vida nunca é essa doçura toda, porque eu adoro esse dramas que podem até ter um final feliz, mas nem tanto assim.




Esse post faz parte da Blogagem Coletiva do Rotaroots! Grupo saudosista dos primórdios do mundo blogueiro.

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