Enrolando o filme mais desenrolado

28 de setembro de 2013

Foi tão emocionante que virou post!

Kodak Hobby

Uma amiga minha, que me influenciou até na fotografia analógica, tem algumas câmeras analógicas em casa e no meio delas tinha uma de bolso que a tia deu para ela e ela nunca havia usado, no meio de uma conversa a câmera acabou caindo nas minhas mãos pra tirar a poeira da dita cuja.

Comprei um filme baratinho, o Kodak Color 200 mesmo, pus na câmera e fui me divertir. Porém o contador de poses está com problemas e fica voltando, nunca sai do número 6. Bateu o desespero não pensei direito, rebobinei e fui revelar, porque já havia tirado tanta foto e aquele filme nunca acabava que fiquei com medo de estar fazendo algo de errado ali.
A verdade é que não havia prendido o filme corretamente, e ele nem havia saído de dentro do rolo, todas aquelas fotos que eu achava que estava tirando, eu estava é batendo pro vento.
Colocar filme é o drama dessa minha relação com esse tipo de fotografia. Eu posso aprender tudo sobre luz mas sobre como prender um filme corretamente eu não aprendo. Eu não penso direito, fico nervosa e nunca sei se coloquei certo, fecho a tampa e vou na fé torcendo para estar preso certinho.

Depois de ter batido tanta foto inutilmente fiquei até com preguiça de pôr outro filme na câmera, mas me animei em fazer um filme redscale em casa e usaria o redscale nessa câmera, pronto era o incentivo que eu precisava para usar novamente a câmera.
Lá fui eu atrás de rolo vazio em alguns laboratórios da vida e junto com o filme que tinha colocado pra revelar e não tinha saído nada faria meu filme redscale caseiro.
Pode parecer simples inverter um filme, mas né não, a coisinha toda pede um pouco de trabalho e paciência.


Fui para o banheiro (no escurinho), transferi o filme de um rolo para o outro para fazer o redscale, disse ufa por ter terminado e fui pro quarto pôr meu filme redscale caseiro na câmera e adivinha? Tinha feito errado, ou achava isso.
Com muito ódio nesse coração voltei para o banheiro e refiz todo o processo para dessa vez dar certo. Disse um ufa muito maior e fui mais animada pro quarto e adivinha? Eu tinha feito certo antes e agooora estava errado!
Tentar explicar como se faz um redscale e a burrice que eu fiz renderia muitos parágrafos e eu fico com raiva e preguiça de mim só de lembrar do acontecimento, não o narraria aqui em detalhes me torturando, apenas basta compreender que fiz burrice.

Por fim o filme ainda estava lá, mesmo que no estado natural dele, ou quase isso, já que havia tirado e colocado ele tantas vezes dentro do rolo que na verdade nem sabia mais se ele estava realmente bom ou se havia batido alguma luz nele queimando-o.
Mas ainda assim o filme e a câmera ainda estavam lá. Decidi que colocaria o filme normal mesmo, de novo, na câmera e boa sorte. 
Bati umas fotos mas estava sentindo algo de estranho, de novo fui eu lá no escuro abrir e adivinha? Tinha colocado de novo! errado. 
A solução que achei foi levar ambos para faculdade e com a Darley (que também curte analógica) colocar o filme pra dessa vez ter uma testemunha que comprovasse que o filme estava colocado corretamente. Foi o que eu fiz.


Fui pra Bahia e na cara e na coragem tive como câmera em Salvador essa da amiga com esse filme re-re-re-rebobinado.
Voltei e indiquei o kit (a câmera com o tal filme) pra minha irmã levar para o retiro que ela ia. Já havia batido tantas fotos e o filme não acabava que já estava na dúvida se estava tudo certo mesmo ou se havia algo errado até que liga minha irmã tristonhamente contando que o filme havia acabado no primeiro dia dela lá no retiro. Só Deus sabe a alegria que senti. Finalmente!

Quando ela voltou para casa e pude pôr as mãos na câmera algo estava errado dentro dela e rebobinar estava sendo uma tarefa difícil, não podia ver mas podia sentir que o filme tinha travado dentro da câmera e quando fiz força para destravar o bendito deu ruim. Na cara e na coragem, de novo, apaguei todas as luzes abri a câmera e legal o filme tinha se soltado do rolo, ou seja, não tinha como rebobinar a não ser com a mão. Porque esse filme pelo menos no momento final não poderia ser legal comigo, tinha que fazer uma graça, manter seu ar de rebelde.
Levantei, pensei, sentei, levantei. O que fazer? O filme todo escancarado embaixo do meu edredom. Será que ele estava bom mesmo? Será que naquelas lá do banheiro ele já havia ficado ruim? Será que agora já não estraguei? Será que vale a pena?
Pensei em tudo que já tinha sofrido com a câmera e o filme. Tinha que terminar o processo e ver no que ia dar aquilo afinal.
Lá fui eu, meti o mãozão no escuro (e embaixo da coberta também, porque vai que né) e enrolei aquilo. Peguei uma caixinha preta coloquei o filme dentro passei durex em tudo para não abrir nem entrar luz (porque todo cuidado é pouco) e fui levar no laboratório.


Já que estava tudo zuado mesmo, ia zuar mais a coisa toda e pedi revelação cruzada (usa-se uma química que não é a "certa" no processo de revelação e o efeito que isso pode trazer na foto é feito pelo acaso mesmo não podendo ser previsto) com fé zero de que sairia algo, toda desestimulada.
No outro dia voltei para buscar e não estava pronto, mas o carinha super gente boa, falou que tinha saído sim umas fotos, poucas, mas tinham saído. O peito estufou e de total descrença uma fé surgiu.

Quando ontem finalmente fui pegar e ele disse que havia saído "peraí.. deixa eu ver.. é saíram 26 fotos..." MEUS DEUS. Tipo VINTE E SEIS FOTOS DE TRINTA E SEIS. Nunca saem as 36 isso é totalmente normal, sempre é na casa dos vinte o número de fotos que sai, e NESSE FILME saiu na casa dos vinte.

Peguei o envelope pensando que beleza, saíram mas podem todas terem ficado hiper corroídas, granuladas, estouradas, vai saber.

Para dar um tapa na minha descrença elas ficaram lindas! Finalmente havia feito revelação cruzada, que queria havia algum tempo e eu acabei me surpreendendo totalmente que o resultado foi muito cheio de amor! Depois de duas tentativas falhas de pôr o filme corretamente na câmera, depois de uma tentativa falha de redscale, depois do filme não rebobinar e ter se soltado do rolo, as fotos ainda assim saíram sobreviveram a revelação cruzada e conquistaram meu coração.

Fotografia analógica tem lá dessas história que emocionam tanto que valem a pena virar post com as fotinhas que causaram tanta alegria enfeitando todo o post.


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