Chico me desculpe, mas ando com preguiça do seu nome.

13 de junho de 2013



Todos nós temos características e gostos, prazer em ver um gênero de filme que nem de longe você sente com outro gênero, eu por exemplo, me deixo envolver, me entrego, amo e sinto um drama, e todo esse prazer nem se compara com o que sinto quando assisto um filme de ação, coisa que raramente acontece, fazer o que, é gosto.

Todos nós temos gostos, cada um com o seu, mas muitos em comum, acaba que a gente consegue fazer nossas marcações de acordo com nossos gostos, seja na música, no cinema, no teatro, na arte em geral, e querendo ou não isso diz muito sobre nós, muito mesmo e indo mais longe isso pode te dar algum status, e a preguiça já começa aqui.

Quando a pessoa diz que gosta dos filmes do Tarantino, você já olha de outra forma, já pensa que a pessoa tem um bom gosto. 
Acontece que as pessoas começam a pegar artistas, diretores, músicos que tem nome e são considerados de "bom gosto" pra poder pagar de alguma coisa. Pagar de pessoa que tem bom gosto, e consequentemente se sente superior ou melhor que o outro.

Se eu falar que gosto de um cantor de rap eu passo menos desse bom gosto que uma pessoa que diz que gosta de Chico Buarque, e essas pessoas que gostam de Chico Buarque, elas estufam o peito e abrem a boca com orgulho para dizerem isso. Enquanto eu que curto um cantor de rap (beijos no seu lindo coração Criolo!) não faço nem questão de falar isso porque o primeiro comentário que ouço é "Não gosto de rap". (Mas continuo falando do mesmo jeito!)

Se eu viro e digo que não curto uma pintura do Leonardo Da Vinci (porque sinceramente não curto, não mexe comigo, não me comove porém não gostar não é reconhecer o talento do cara, porque o cara foi fantástico) mas que curto um grafite, eu ganho menos respeito e credibilidade que alguém que está na mesma conversa e diz que o ama.

Eu estou cansada daquele mesmo perfil de pessoas que amam o Chico Buarque, aos fins de semana só vão em exposição e vão ver aquele filme independente que lançou na semana passada, e não dão espaço ao novo ou se julgam melhores por isso.

Chico Buarque você é fantástico e não tenho nada contra você. Exposições vocês alegram meus fins de semana (e das minhas irmãs). Filmes independentes, minha alma ama vocês. Meu post não é contra nada disso (pelo contrário eu curto os três citados acima) é contra você se sentir superior por isso, nem curtir tanto mas fazer ou gostar para depois pagar de algo falando sobre o assunto e mais ainda, meu post é contra isso ser o limite.

Contra isso ser o limite digo especificamente sobre o mundo das artes e mais ainda sobre música.

Quando eu falo que curto um cara que não tem muito nome e 30 anos de carreira essas pessoas que pagam de cult (porque essas especificamente pagam, as que são de verdade não teriam essa reação) já me olham torto, não colocam credibilidade. Se eu dizer que estava ouvindo Switchfoot (e os caras são fantásticos) o efeito não será o mesmo se eu dizer que estava ouvindo Nirvana (e o cara nem conhece direito nenhum dos dois, mas po, Nirvana é Nirvana). Se eu dizer que estava ouvindo Cícero o efeito vai ser diferente do se eu tivesse dito que estava ouvindo Elis Regina.

Essas pessoas não conhecem Switchfoot e e não conhecem Cícero. Porque elas não dão espaço para o novo. A maioria acha que música boa é só música da década de 80 e 90 e os anos dois mil não produziu nada de bom. Aff. Os caras podem não ter imenso nome nesse meio (porque em muitos lugares os caras têm), mas eles têm qualidade, têm letras boas.

Não dar espaço para o novo é idiotice tremenda, deixar o círculo se fechar não é ser sábio. Prefiro ouvir do mpb ao rap passando pelo jazz e pelo rock independente dos anos de carreira que os músicos ou as bandas tenham, do que ficar sempre no mesmo. O que seríamos de nós se as coisas não se renovassem não se reinventassem?

Sinto uma revolta dentro de mim quando falo de um cantor novo super bom que conheci e ninguém conhece, porque estão sempre ali, na mesmice e mais do que isso se sentindo fantásticos por isso. Sinto o mesmo quando a pessoa faz desdém e não da credibilidade porque não conhece aquele nome.

Vamos para de vestir essa mesma capa, que você pensa que é diferente e melhor por vesti-la, quando na verdade existem milhares de pessoas vestindo a mesma capa e se sentindo os melhores também. 

A diversidade é espetacular. 

MPB não é melhor que Samba, como Rock não é melhor que Jazz e Rap não é melhor que Folk e por ai vai.

Eu amo mesmo são aquelas pessoas que leem sobre tudo, escutam de tudo, assistem a tudo, conversam sobre tudo e sabem um pouco de tudo, porque não tem esses limites, essas barreiras, não se limitam a nada e estão sempre prontas ao novo, ao fantástico e prazeroso que o novo pode ser e é.

Eu poderia aqui começar a falar de artes plásticas, mas isso renderia um belo de um post, que um dia vai aparecer por aqui, porque como esse post estava explodindo dentro de mim o de artes plásticas também está.


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