Composição do violino.

24 de abril de 2013

Há momentos insustentáveis no mundo concreto, talvez no mundo concreto tais momentos nunca tenham de fato acontecido. Há momentos que só acontecem dentro da leveza do ser, ser que dá a vida para a existência de tais momentos.

Esses momentos por si só são vida, a sua existência é a razão da vida, que começa com outro ser. São seres ligados por uma composição também insustentável nesse mundo visível. Composição que gera vida, que gera momentos.

Talvez um ser nunca venha a saber da composição que começou na vida de outro ser, mas o outro consegue sustentar toda a composição por ela própria, ela própria se gera e se gera e se gera.

A composição se modifica, é um ato contínuo. Através dela vem as ações quase inexprimíveis, ações fortes demais, tão fortes que quase não conseguem existir, quase insustentáveis nesse mundo concreto, mas que ocorrem sejam por uns segundos ou por algumas horas. Um lábio contraído. Uma lágrima inevitável. Um olhar fixado. Um sorriso ganho.

Resultado da composição que um ser em algum dia, algum momento, algum instante ou período começou no outro, e que trará eternas modificações. O enxergar a vida. O enxergar o humano. O enxergar a si mesmo. A existência e suas sensações ganham novas caras.

É uma releitura, uma redescoberta, um reassistir que se perde no tempo, que reacontece a cada novo ano.

É uma eterna gratidão do poder que uma vida pode ter na outra, mesmo sem essas vidas nunca poderem de fato enxergar isso, suas consequências, o resultado de sua vivência, por acontecer dentro da leveza do ser e ser insustentável no mundo concreto, é algo que não se limita ao enxergar com luzes, mas ao enxergar que aprendemos com um petit.

Me enganei ao dizer uma vez que o violino parou de tocar, reli, redescobri, reassistir, reaconteceu, mas sempre, sempre ao seu modo peculiar.

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