As irmãs gêmeas de Agatha Christie.

20 de março de 2013

Eu tive minha época ápice de leitura dos livros da Agatha Christie, foram tantos títulos que os misturei todos e mal sei por eles se aquele já foi lido ou se estou confundindo com outro.

No meio de toda essa confusão, em um dos livros, que claro não lembro o nome, para ser sincera eu não me recordo muito bem nem da história, eu gravei umas partes por algum motivo desconhecido e as levo comigo para a vida. As partes que ela fala sobre a relação de irmãos gêmeos.

O pior é que levo comigo como um dado científico, minha mente tomou como verdade, e então tudo o que ela fala de irmãos gêmeos no livro, mais especificamente de duas irmãs gêmeas, eu tomei como verdade. Graças a isso, meu desejo de ter filhos gêmeos desapareceu, por motivos de medo. Mas parece que eu meio que ganhei da vida uma irmã gêmea.

No livro ela fala que tudo entre as irmãs acontecem no mesmo tempo (isso foi o que mais me marcou). Elas nascem juntas, crescem vivendo as mesmas fases juntas, e quando uma casa a outra casa, e quando uma tem filho a outra tem filho e quando uma resolve se matar a outra vai junto.
O livro ainda fala que por elas serem assim tão próximas elas acabam tendo uns momentos de desentendimento vez ou outra aonde se afastam, e ficam um tempo colhendo sentimentos contrário uma a outra, mas isso não dura muito, porque o amor é maior e a ligação que elas têm é única, elas precisam voltar a se falar, trocar informações, compartilhar de verdade a vida (o casamento). É tudo igualzinho.

Acho que em 2008 Deus resolveu me presentear com uma irmã gêmea para chamar de minhã, a começar pelo nome, que é Sarah. Vivemos juntas por aí e sempre quando vamos nos apresentar é "Sarah, e ah Sarah também" acompanhada daquele risinho amigo.

Durante 3 anos a paixão por humanas foi sendo nutrida em ambas as partes da irmandade, até que em 2010, depois de muito lutarmos contra, nós duas resolvemos largar nossas então primeiras opções de faculdade, e resolvermos fazer o mesmo curso, que só existe em uma faculdade aqui no Rio. Ou seja, mesmo nome, mesmo curso na faculdade (que pra quem não sabe é Museologia, ô coisinha rara e resolvemos logo as duas fazermos o mesmo), e mesma sala de aula, de novo (já que já fazíamos o ensino médio juntas). Não sei acho que alguém passou uma cola de grude e ficou. Até porque não planejamos fazer o mesmo curso, foi algo completamente natural e espontâneo.
Nos tornamos as Sarah's em 2008 e permanecemos conhecidas como as Sarah's até hoje. As Sarah's que vivem juntas, que fazem o mesmo curso, que moram na mesma cidade, que faltam juntas, que sempre fazem trabalho juntas, que parecem necessitar uma da outra para viver, mas que não é verdade, a gente consegue viver uma sem a outra (mas só por um tempo, lembra do que falei das irmãs gêmeas lá em cima da Agatha Christie né?) mas a vida parece não querer separar a gente.

Depois da faculdade já era, coisas pessoais demais para serem compartilhadas por aqui aconteçaram na vida dela e dias depois aconteciam na minha, ou vice-versa, as vezes era (ainda é) assustador a tal ponto de nem se passarem dias, enquanto eu compartilho a coisa com ela, ela já dá aquele pulinho para trás porque o que ela tinha para compartilhar comigo depois de uns dias afastadas (leia-se: final de semana) era a mesma coisa.
Detalhes da vida, coisas pequenas, como também coisas grandes, tanto que é normal a gente falar nas nossas conversas "para de me imitar", como a outra Sarah diz "Para de me imitar, para".

Amiga, eu tento, mas é tão natural...

Hoje aconteceu isso de novo. Enquanto eu resolvia a papelada de um lado ela resolvia do outro, e as duas trocavam mensagens de felicitação, por termos conseguido estágio/bolsa aonde/com quem queríamos, de novo, na mesma época, nos mesmos dias bem dizer. Dai eu parei para pensar e mandei uma para ela "até isso a gente consegue junto!".

Óbvio que tanto amor tem lá seus desencontros, apesar de não termos nossos momentos de ódio como os das irmãzinhas da Agatha Chisrtie, nem tudo é tão igual assim.

A maioria dos nossos pensamentos são iguais, apesar de óbvio, claro, terem uns diferentes, até mesmo dentro da nossa área, ela é mais para o tradicional eu sou bem mais para o diferente, o novo.
Mas quanto a homem e a comida, a coisa difere bem.

"É óbvio que ele é bonito!" falou a Darley, só me limito a responder "Ok, cada uma tem seu gosto."

"Suco de maracujá é o meu preferido."
"Erg, não curto muito prefiro o de manga."
"Odeio o de manga."

Ou então como foi hoje.

"Vai querer o de limão ou o de maçã?"
"De limão, odeio o de maçã."
"Eu AMO o de maçã!"

Mas a gente vai se entendo, sem ter que brigar por isso.
Até porque no essencial a gente continua concordando e compartilhando: homens com barba e chocolate <3

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