A delicadeza do amor

17 de março de 2013

A primeira vez que o vi foi na faculdade, enquanto estávamos em pé esperando pra conseguirmos nossos papéis dentro de toda aquela burocracia... Eu olhei pro lado e pra cima (ele é bem alto), ele estava a me observar... Vestido com roupa social, mas não do tipo que você olha e pensa "uau" mas do tipo que você olha pensa que o cara é relaxado. Ele elogiou meus olhos e reparou na minha calça verde. Me limitei a sorrir e sair dali pensando que ele não é estranho, sabe se você olhar bem.

Sei lá quanto tempo depois por aí com minha mãe, minhas duas irmãs e uma amiga, entrei numa fila e quem estava lá também? Ele.
Minha amiga, que estava mais longe com minhas irmãs e minha mãe me esperando, olhou pra ele, pra mim, pra ele, pra mim, como que indicando que o carinha do meu lado era interessante, até então não sabia que o carinha era ele, quando olhei vi que o conhecia de algum lugar, mas ele tava tão diferente...

Foi difícil reconhecer. Ele não tava todo socialzinho, tava de jeans e blusa normal, continuava com o cabelo bagunçado, mas sabe ele ainda não era bonito pra minha amiga o achar bonito e falar pra mim que ele era bonito, apesar de cada um ter o seu gosto, ele ainda tinha algo de estranho, não sei, acho que é o tipo de pessoa que é estranha mas que quando você observa vê que ela se bem cuidada fica legal. Ele me olhava vez ou outra mas não parecia lembrar de mim nem nada do tipo.

Entrei fiz o que tinha que fazer, e ele na sala do lado também fazia seiláoque ele estivesse fazendo ali.
Nesse meio tempo fiquei pensando sabe, ele tem cara de ser legal, não sei, não ia sair dali e ir embora, perder a oportunidade, até minha mãe tinha falado que ele era legal, lá fora com minhas irmãs e ficou implicando comigo, só porque o cara estava do meu lado, elas nem sabiam que um dia ele elogiou meus olhos. Enfim, ele parecia ter uma boa pinta, não sei, um papo bom, não ia embora sem fazer nada.
Quando sai, fiquei andando lentamente pelo corredor, por sorte ou seiláoque eu tava com a calça verde daquela outra vez, quando ele saiu e veio pelo corredor fiquei olhando, rindo e mostrando a calça, ele riu se aproximou e disse "a menina da calça verde..." de repente me abraçou e falou alguma coisa que sinceramente não lembro o que foi, só sei que rolou, aconteceu e a gente saiu dali bem.

Com o tempo a coisa continuou acontecendo, rolando, indo, se encaixando, mas ele eu não desvendava... Eu sabia que tinha alguma coisa só não sabia o que, ele era muito diferente. Quando o fui apresentar para as minhas amigas não sabia como fazê-lo, na verdade, eu sabia, ele que parecia não saber.

Eu me sentia tão bem no abraço dele, especialmente naquele nosso primeiro, ele era tão inteligente, ele sabia tanto, tinha um gosto incrível pra leitura, ele falava de forma doce, me levava em bons lugares pelo Rio, a gente se dava bem, a gente tinha tudo pra se dar totalmente bem, mas tinha alguma coisa, tinha um espaço que a gente não conseguia preencher.

No fim, eu tinha medo de magoa-lo... Ele foi o cara mais diferente que eu já conheci, não tem como descreve-lo, ou encaixar ele num perfil, eu penso nele como um cara que minhas amigas olhariam estranho se perguntando "o que ela tá fazendo com ele, ele é estranho" mas ele é um estranho ao seu jeito, único.

Se eu o magoei ou não, nunca vou saber, ele não me deixava saber, talvez tenha sido isso o que sempre esteve entre a gente, o jeito tão único dele, que ele guardava pra si e não deixava ser compartilhado, mas eu digo que o amei, do meu jeito, só pra mim.

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