Passagem

26 de dezembro de 2012

Chorão já cantava que um dia acontece e a gente tem que crescer, só precisava ter a outra parte com um alerta que a falta de opção vem junto.
Alerta esse que seria inútil, talvez não por completo porque poderia causar ainda mais pânico, ou euforia em alguns.

Há uns anos o futuro me fez pensar nele, só que só por um ângulo, desde então vejo o futuro apenas por uma perspectiva, sem notar que tem várias outras, isso é algo óbvio que todo mundo sabe, mas é mais uma daquelas coisas que todo mundo vê mas quase ninguém enxerga e como já dizia um filósofo (que não, eu não consigo lembrar qual deles foi), a verdade não é feita só por um ângulo, só por uma verdade, acredito que nada é.

Durante uma aula, em que a professora falava da importância dela dentro do meio profissional dela, notei que eu estava ali naquela sala de aula para escrever meu futuro profissional. Eu estou na faculdade cursando museologia para um dia ser uma museóloga, e pode apostar, isso me deu medo.

Pela primeira vez na vida senti um medo real do futuro, ok, talvez não a primeira vez, mas com certeza foi a primeira vez que olhei para o futuro enxergando os vários outros ângulos.
Infelizmente descobri isso numa péssima tarde que eu imaginava que não poderia ficar pior. Minha sorte era ter uma amiga do lado, morar no rio de janeiro e estudar perto do litoral. Lá fomos nós esvaziar a cabeça caminhando até a praia num final de dia para assistir a beleza dessa cidade (ou parte dela).

Isso aliviou o espírito e a alma mas não tirou todas as interrogações da minha mente, quando voltei para a casa ainda queria sentar no colo do meu pai e dizer "Eu tenho medo do futuro. Tenho medo porque um dia vai ter que ser só eu e eu. Um dia você e minha mãe não estarão mais aqui, e vocês me passam segurança, o fato de vocês existirem, estarem aqui comigo, por mim, me da a sensação que estou sempre segura. Mas e quando for só eu? Só eu e meu marido também. OH CÉUS QUANDO EU FOR MÃE?" Perdi subitamente a vontade de ser mãe, e passar por isso sozinha não foi tarefa fácil.

Pode-se dizer que eu meio que fiz isso, não nesse dia, uns dias depois, quando isso ainda não havia passado. Invadi o quarto do meu pai, me deitei ao lado dele, encostei em seu peitoral e tentei explicar que sentia medo do futuro, meu pai me abraçou e disse pra eu não ter, mas que isso é normal, se isso é normal perguntei se ele já havia sentido medo do futuro então, ele respondeu que não, mas não sentiu medo nem quando você teve a Débs (minha irmã mais velha, logo, a primeira filha dele), ele disse novamente que não.
Isso me fez pensar, isso está me fazendo pensar agora, e eu tenho sorte por ter meu pai como meu exemplo de pessoa nessa vida, ele não costuma decepcionar, e ele não decepcionou só que minha realidade é diferente da realidade que um dia ele teve quando tinha 18 anos, a idade que tenho agora.

Nossas vidas foram completamente diferentes, ele sempre foi obrigado a ver o futuro por todos os ângulos dele, bem diferente de mim. Mas uma hora a gente acontece não é? Chegou a hora, já estava quase passando dela. Meu medo não é ter que um dia me virar e ser só eu e eu, é como vou chegar lá, fazer isso acontecer, e como vai ser quando acontecer.

No momento só queria ter certezas, quando tudo o que eu tenho são incertezas com mais incertezas.

Iggy Pop já dizia, life is crazy, meu lema de vida.

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