Descobri a origem do meu sotaque.

16 de dezembro de 2012

Umas poucas pessoas apareceram na minha vida e me perguntaram de onde eu era, respondia "Rio de Janeiro", mas a pessoa fazia uma cara do tipo "Eu sei que você mora no Rio" e retrucava "Sim, sim, mas você veio de onde?", a resposta certa e completa seria "Nasci no Rio, cresci no Rio, meus pais são do Rio, e não viajo com frequência pra um certo local fora do Rio pra pegar sotaque de lá." Então de onde vem esse meu sotaque que me faz parecer não carioca..

O ser humano necessita de explicação, diria que sempre, eu por estar dentro dessa raça queria a minha.
Quando eu era criança eu falava errado, mesmo sem me ouvir falando errado, porque por mais que as pessoas me falassem que eu falava "tato" eu me ouvia falando perfeitamente "dado". Mas não importa o que eu ouço e sim o que os outros ouvem (nesse caso, que bom! porque quando comecei a crescer comecei a me ouvir falando "tato" mesmo, pra minha decepção), eu fui parar numa fonoaudióloga, para os íntimos, fono.

Minha, muito fofa e simpática fono, me ensinou exercícios com linha e botão que sei fazer até hoje como também me ensinou a forçar as consoantes (porque errar vogal é sacanagem né).
Lia uma centena de palavras com mil consoantes que eu era forçada a puxar. Mas entre as consoantes que eu não errava estava (R e S - não tem como errar R ok, mas tem como errar S, eu errava quando eram dois dele).  Como se não bastasse eu falar errado eu ainda falava rápido (desse segundo nunca me desfiz, falo rápido até hoje). Apesar de eu ser uma criança com lá meus 5 anos eu já era espertinha.. E se eu puxar as consoantes que eu não erro e as que são mais fáceis de se falar? As pessoas podem não entender a frase toda, ou a palavra toda, mas partes (essas que eu puxei) elas vão entender e o ser humano não precisa entender todas as sílabas de uma palavra ou todas as palavras de uma frase pra entender o que eu quero dizer, o ser humano é inteligente, ele entende partes e assimila o conteúdo. Essa é a estratégia que utilizo até hoje.

Eu falo o R com mais força, puxo o S vez ou outra (porque pera lá ainda sou carioca, carrego comigo minha troca carioquense de S por X), falo meu J mais puxadinho, carrego no T pra sair forte, e por ai vai.

Isso tudo veio das minhas falhas de memórias da Sarah com seus lá 5/6 anos que carrego dentro de mim que começaram a brotar quando me falaram que tenho sotaque, e que eu nem percebia mais que fazia isso por já ter se tornado completamente natural (acrescento aqui o meu muito obrigada a mim mesma por agora sempre perceber quando faço uma dessas coisas). Só Deus sabe se isso é mesmo a explicação pra eu falar diferente.. Mas também uma pessoa que falava "tato" e se ouvia falando "dado" aos 5 anos mesmo com os seus 18 anos não poderia falar igual as outras pessoas.

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