Mudança

2 de março de 2011

A cordialidade havia acabado, a prova estava naquele momento, naquela sala, prova de algo que já estava concretizado e ambos os corpos ali presentes já sabiam, há algum tempo.
Toda a conversa ocorrendo de forma direta, porém contendo toda superficialidade que sempre conteve. Não teria prova maior.
Frases ditas que se passadas a papel dariam apenas um mísera linha. Teria falas mais diretas?
Srª Antonieta nada mais poderia fazer, do que aquilo que lhe provinha, esconder-lhe todos seus pensamentos pode detrás de uma face sem moldes. Ao olhar naqueles olhos levemente arredondados mas que de forma sublime conseguiam se manter mais retos do que nunca, nada mais restou ao outro corpo ao qual os olhos estavam sendo dedicados do que se retirar.
Porém se retirar era tudo que Srª Antonieta é que precisava fazer. Moldar sua face por durante dois anos, não lhe foi fácil. Era a hora certa de retirar-se.
Uma semana era o intervalo correto.

A carta havia de chegar no dia previsto, e chegou. Ao ser aberta, vieram duas expressões ao semblante do leitor, as mesmas que a escritora havia previsto. Surpresa, por tamanha coragem vinda de uma mulher, e dúvida, algo que ambos compartilhavam e sabiam disso, porém em meio à dúvida havia ali outro compartilhamento recíproco uma certeza de que uma história havia sido terminada juntamente com o fim da leitura daquela carta.

Uma segunda carta fora escrita essa posso lhe dar o prazer de sua leitura:



"Endereço para o destinatário é o que irá faltar a esta carta, pois quem escreve é quem recebe.
Os seres humanos, em sua maioria, fazem um conjunto de algo lamentável, preciso dizer. Escondem-se detrás de figuras criadas por eles mesmos para o seu próprio mal, criam faces vindas do imaginário e inusitadas... o que quero confessar é que acabei por me tornar um deles.
Lutar contra eles, é o que tenho tentado desde que pude prever meus passos, porém conseguir vence-los ... é, nunca conheci alguém que tenha conseguido.
O que posso fazer é me igualar. Claro que nunca me igualarei ao completo, já lutei contra isso, e tal fato me diferencia deles.
Porém lutar é capaz de cansar e guardar é capaz de marcar. O cansaço chegou e me tomou por inteiro, ao mesmo tempo que se acumularam marcas mais fortes do que as que imaginei agüentar, muito mais fortes, perdoei-me por me render.
Antes havia tentado me render ao clichê, é, a ele. Um outro diferente ao que é lançado por todos os lados, exatamente e completamente contraditório a tudo isso. Era pelo o que eu lutava na verdade.
Sem jogos, sem indiretas, sem rodeios, apenas amar de todas as formas, de todos os jeitos, a todo instante, pegar um momento e transforma-lo em um ato de felicidade, fazer-me feliz, faze-lo feliz. Uma freqüente busca pela felicidade através do amor. Lamento saber que poucos são os que compreendem.
Porém ao render-me ao mais sublime de todos os clichês obtive falhas. Então repito perdoe-me por me render nesse momento.
Expor os pensamentos, falar o que me vier, usar da grosseria, me amar acima de todos, preocupar-me somente comigo, fazer do eu uma prioridade e magoar aos irmãos, não pode ser tão ruim quanto o meu imaginário me diz, afinal não é assim que todos são? Se todos são assim porque deveria de ser ruim?
Oh céus, a resposta está a minha vista e eu tento me enganar.
Analisar tal fato é o que mais consome minhas horas nesses últimos tempos, a todo instante ocorre a contradição, porém uma frase certeira me interrompe incansavelmente:

A massa é burra já dizia Gustave LeBon."

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1 comentários

  1. "Os seres humanos, em sua maioria, fazem um conjunto de algo lamentável, preciso dizer. Escondem-se detrás de figuras criadas por eles mesmos para o seu próprio mal, criam faces vindas do imaginário e inusitadas... o que quero confessar é que acabei por me tornar um deles."

    Essa é a mais pura verdade, às vezes criticamos tanto um comportamento mas acabamos "agregando" esse comportamento a nós mesmos, quase hipócrita.

    beijos

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