Minha canção em 2018

terça-feira, dezembro 11, 2018

Como de praxe o spotify liberou a retrospectiva do ano e lá fui eu ouvir a minha playlist com as músicas que mais escutei esse ano. Que turbilhão que veio.

Tinha música latina, e lembrei que esse ano eu fiz finalmente um mexicano no meu aniversário, lá em janeiro ainda, e terminei a noite dançando música latina com minha irmã na sala.

Tem um compilado de artistas nacionais que me propus conhecer mais, que eu também ouvi muito lá no início do ano, justamente enquanto estava em Buenos Aires e veio à tona meus momentos na minha casinha, onde esses artistas eram tudo o que eu mais ouvia enquanto cozinhava ou limpava a casa.

Várias músicas da playlist de rockezin estavam lá, que era o que ouvia religiosamente no trajeto casa até o centro de Buenos Aires, todo dia de manhã no metrô.


Lembrei do carinho do nosso amigo Caio que comprou o novo álbum do Silva só para deixar tocando no carro quando fomos lá em Minas visitá-lo, e virou nossa playlist da viagem. Então, quando ouço "A cor é rosa" eu vejo o Caio sentado no volante nos levando de um canto ao outro da cidade.

E aí vem Billie Holiday, a artista que mais ouvi no decorrer desse ano, porque em dias chuvosos a gente escuta Billie Holiday e esse ano choveu na maior parte dos meses. A voz dessa mulher foi minha companhia em incontáveis noites não dormidas no hospital.
Lembro que abandonei as 3 leituras que estava fazendo e minhas séries (até hoje não consegui retomar Mad Men), porque tudo que eu fazia era passar raiva de homem, gente branca e a sociedade num geral lendo livro sobre política; mulher, classe e raça; e romance com mulher nessa socidade contemporânea. Então, me entreguei ao mundo ilusório dos YAs e li uns 10 livros nas madrugadas com a companhia de Billie Holiday, para conseguir ver o sol nascer no outro dia estando minimamente bem.

Mas essa mulher também acompanhou eu e Debs na montagem de uns móveis novos aqui pra casa, porque montar móvel pode ser estressante em meio a tantos parafusos e ela nos ajudava a manter a paz.

A primeira música dessa playlsit é Shy, do Leon Brigdes, porque eu ouvi esse homem cantar essa música ao vivo (e até hoje não acredito que fui no show desse ser!) e eu viciei. Do tipo que eu ouvia todo dia no percursso do trem cantando cada sílaba dessa canção com ele.

Eu me pergunto qual a melhor banda que existe e por que é United Pursuit? Foi o segundo artista mais tocado no meu ano e me surpreendeu por não ter sido o primeiro. Foi a banda que me ajudou a manter a sanidade no decorrer dos meses.
Eu tenho a impressão que eles lançam 3 álbuns por ano e conseguem fazer todos serem bons, não sei como. Acontece que esse ano eles lançaram músicas ainda mais introspectivas e mais relacionais que o de costume e era tudo o que eu precisava para conseguir acalmar por dentro.

I’m desperate and I’m weak. I long for the river that’s rushing. I’m empty and in need.
Fill my empty space. Be my one and only.

E sempre vai ter Matt Corby, porque esse homem é a playlist da minha vida. É o único cantor ou banda que sempre tem algum álbum baixado no meu celular. Eu escuto as músicas dele e consigo me ver em diferentes estradas pelo Brasil ou em diferentes vôos. Me acompanhando na estrada Campinas - Rio, ou me acalmando no meio de um monte de relâmpago no céu de São Paulo - Buenos Aires. É de me fazer sorrir demais pensar que ano que vem verei esse homem ao vivo, exatamente no meio de uma viagem.

Existe memória olfativa, memória fotográfica e eu percebi que eu tenho memória musical. Só começar a ouvir uma canção que eu sou levada para o lugar onde ela tocou de fundo enquanto vivia algo.
Lembrei de tudo que me aconteceu em 2018 enquanto ouvia essa playlist que o spotify fez, e aí percebi que vivi coisa demais esse ano. Foi o ano que achei que fosse perder o meu pai, mas também foi o ano que comecei e experimentei muita coisa na vida. Comecei o mestrado, conheci uma amiga de internet ao vivo, comecei o francês, fui para o sul pela primeira vez, e fui parar em Santa Catarina sem querer, me aproximei de muito amigo querido, fiz amigos novos, morei por um tempo sozinha, passei meu aniversário na praia de novo, dei a volta na Lagoa pela primeira vez...

Quero olhar para a fase difícil com reflexão para guardar o que é preciso dali, mas sem apego. Esconder as coisas difíceis que senti só me faria mal, então as trago à tona, as encaro, aprendo o que posso e de resto eu deixo ir. Me apego aos bons sentimentos e especialmente as boas pessoas que isso quero deixar em mim e me fazer acrescentar o quanto der.

Drops

Nesse meio tempo

quarta-feira, setembro 26, 2018
Fiquei muito tempo sem aparecer por aqui. Nesse período eu escrevi uns textos e abandonei na metade, outros terminei e não publiquei, por falta de vontade. Mas comecei um diário, o qual também fiquei dias sem escrever, até que semana passada finalmente voltei à ele, e foi aí que eu percebi algo. Que todos os meus textos até então carregavam uma certa tristeza, angústia e agora eu escrevi genuinamente feliz, mesmo com minhas incertezas de sempre. Então, percebi que muita coisa aconteceu.

Nesse meio tempo eu me apaixonei por Billie Holiday. Montei móveis com minha irmã. Coloquei um filme novo na câmera analógica. Passei por obras (que pareciam infinitas) aqui em casa. Comecei um diário. Li muitos, muitos livros. Me senti bem para retomar, e finalizar, livros que havia abandonado porque mexiam muito comigo. Abandonei livros mesmo. Comemorei o aniversário da minha irmã. Viajei para Curitiba pela primeira vez. Conheci uma amiga da internet de anos. Quase conheci uma amiga de internet de anos. Voltei à Uberlândia, agora com minhas irmãs. Fiz escala 3 vezes em SP, mas não fiquei uma vez sequer por lá. Retomei Jane The Virgin, e me reapaixonei por ela. Comecei a assistir Living Single. Comecei e abandonei outras séries. Revi minha trilogia preferida (Before - sunrise, sunset, midnight). Comecei uma papaleria nova com minha irmã. Tomei coragem para realizar um grande sonho. Terminei um semestre do mestrado. Comecei outro semestre do mestrado. Ganhei minha primeira avaliação do mestrado. Fiz amigos no mestrado. Comecei a planejar uma viagem. Comprei ingresso para um show que é um sonho (realmente um sonho, no sentido literal da palavra sonho) de show na minha vida. Voltei a caminhar e fazer yoga. Parei de caminhar e fazer yoga. Voltei a caminhar. Torci o pé. Queimei um braço. 

Engraçado, que tenho uma amiga (a amiga de internet que eu quase conheci pessoalmente) que troco mensagem por whatsapp, de uma forma que só faço com ela. São vários áudios, longos ou curtos, sobre diferentes assuntos e entre eles tem um que sempre estamos respondendo uma a outra, que trata exatamente sobre o tempo. 2018 está chegando ao seu fim e nenhuma das duas sentiu o tempo passar. Ele vai por nossas mãos de forma fluida o suficiente, para ser quase imperceptível. Mas quando parei para escrever no meu diário e ver que agora, no final de 2018, estou finalmente me sentindo bem, genuinamente bem, eu percebi que coisas aconteceram sim, um tanto delas. Não tirei nenhuma grande conclusão sobre isso, nenhum grande sentido ou mensagem, só percebi e gostei de ter percebido. 


Pessoal

Saudades da gente

domingo, abril 22, 2018
Eu comecei a sentir saudades da gente, e ela insiti em persistir. E eu sei quando ela começou.

O processo de viajar sozinha em si todo é bom, eu gosto. Mas descobri que com o tempo pode bater um momento de solidão, que faz parte e tudo bem, mas no meio desse processo, depois de 12 dias viajando sozinha, com tempo demais e cabeça vaga eu comecei a sentir essa falta. Falta da gente. Especificamente de partilhar, de ter ali do lado, de poder contar no final do dia sobre o dia em si. 
É algo que eu não gosto de dizer em voz alta, porque não tenho muita facilidade em assumir isso, e dizer em voz alta é basicamente assumir. Mas me bateu tão forte que eu falei com as minhas irmãs. Não nesse dia, e essa que é a questão.

Isso tem dois anos. Um ano e alguns meses na verdade. Eu senti a falta da gente há um ano e alguns meses e achei que fosse momentâneo. Fazia parte da solidão que aquele fim de viagem estava me trazendo. 
Mas nesse meio tempo foi o processo que passei de aceitar isso e conseguir falar em voz alta. Eu entendi que na verdade não sinto realmente falta da gente, mas de alguém com quem compartilhar certos momentos. Você representa isso. Agora um certo vazio, que me é estranho. 

Que acarretou com um outro vazio e juntando os dois o futuro me parece formado boa parte dele por um vazio, que não vejo realmente como não me ser estranho. 
Refletir

Pra variar, 2017

quarta-feira, dezembro 20, 2017


Um hábito que tenho há anos, mas reforcei em 2017 foi o de escrever no papel, sobre basicamente tudo. 
Usei muito minha agenda, anotei muita coisa, fiz muita lista, organizei muito meus dias, semanas e meses, e passei a escrever não apenas as coisas óbvias, como organização, por exemplo, mas também coisas que eu achava importante para mim, não importa se não é um costume geral escrever sobre aquilo.

Esse ano também eu criei uma newsletter com a minha irmã Débora e ando escrevendo mais do que aqui. A última que enviei até agora falava sobre olhar as coisas boas do ano de 2017, inspirada nisso eu resolvi deixar escrito na minha agenda desse ano uma lista de coisas boas que me aconteceram, sejam elas consideradas grandes, sejam elas consideradas pequenas.

Acontece que quando fiz isso me peguei analisando esse ano que passou, e é incrível o quanto é verdade isso dos dias irem acontecendo e junto deles nossas vivências e a gente nunca parar simplesmente para pensar, pensar sobre o que passou, sobre o agora, sobre o que queremos. A gente não tira um tempo de análise. Muitas das vezes nos cobramos demais, mas não analisamos o quanto já melhoramos, tanto em pontos aleatórios quanto nesses em que nos cobramos, porque não paramos para pensar sobre, sobre nada, nunca. 

Comecei a lista e tanta, mas tanta, mas tanta coisa aconteceu! E eu te juro que eu não fazia ideia, é claro que eu sabia que tinha feito uma viagem incrível com as minhas irmãs para a Bahia, ou que havia começado a trabalhar em um museu que eu amo, mas foi tão mais que isso, tanta coisa corriqueira também e que é grande, e que é boa!

Eu me surpreendi com a minha própria vida, a sensação foi que eu tive um ano incrível demais e não tinha me dado conta, e se não tivesse parado nesse momento, esse ano ia passar despercebido por mim e quando me perguntasse sobre 2017 só iria dizer que foi um bom ano, mas hoje eu posso dizer que ele foi muito melhor que um simples "bom ano", ele foi especial para mim por diferentes motivos. Um monte deles.

Eu não ter reconhecido ainda isso nele me fez parecer que eu não o tinha vivido em toda a sua itensidade. Eu vivi cada uma dessas boas coisas que me aconteceram de forma intencional, mas eu não ter reconhecido que cada uma delas foi boa para mim e me fez ter um ano inteiro completamente bom não me permitia enxergar 2017 da forma como eu enxergo agora, com um sorriso no rosto como se tivesse sido meu último presente para finalizar bem esse ano, o melhor presente, perceber e ter a total consciência que esses meses me mudaram, me mudaram, me mudaram e me trouxeram tanta coisa incrível, que eu já me habituei e não fui tão grata.

Eu conheci umas pessoas tão especiais, tão queridas, que me trouxeram mais para perto de onde eu desejava estar.
Eu fiz umas viagens maravilhosas demais, únicas, mesmo.
Eu me apaixonei pelo Parque do Ibirapuera, porque andei de bicicleta lá pela primeira vez.
Eu me cansei das linhas de metrô de SP de tanto que rodei por elas.
Eu vi o show do Sigur Rós (!!!!!!!!!!!!!)
Eu descobri e passei a viver meu chamado na minha igreja local.
Eu comecei a estudar espanhol (!!!!)
Eu vi coisas lindas acontecerem às crianças do departamento onde trabalho na minha igreja local.
Meu irmão de Minas veio ao Rio de Janeiro pela primeira vez.
Eu fui aprovada no mestrado que eu queria.
Eu voltei a amar fotografia analógica.
Eu fui em Boipeba (!!!!)
Comecei a estudar francês.
Deus tratou de tristezas internas que nem eu sabia que me afetavam tanto.
Eu consegui ter um horário muito flexível trabalhando de casa.
E assim consegui sair muito mais com meus amigos.
Tomei café da manhã com a minha mãe algumas vezes por aí, e foi gostosinho demais fazer isso com ela.
Eu comecei o ano comemorando meu aniversário na praia.
Foi a primeira vez na vida que eu reuni todos meus amigos para comemorar meu aniversário.
Eu cresci muito, mas muito espiritualmente.
Eu li tanto quanto eu gostaria, e livros incríveis.
Eu li mais mulheres.

E a lista só continua. Mas a intenção aqui não é listar tudo de bom que me aconteceu, mas sim falar sobre eu não ter percebido elas. Você vê que algumas coisas saltam aos olhos mas outras podem passar despercebidas com facilidade? Igualmente com o seu ano.

Achamos que acontecem muito mais coisas ruins na nossa vida que coisas boas, mas muitas das vezes apenas não olhamos ou valorizamos as coisas boas tanto quanto focamos e valorizamos as coisas ruins.
Pelo menos nesse final de ano, vamos olhar para nós mesmos e para a única vida que temos a chance de viver e tentar reconhecer apenas os pontos bons e meditar sobre eles.
Foi um exercício que fiz sem imaginar o que viria e me surpeendi muito comigo mesma, com meu ano. Recomendo que você tire esse tempo apenas para analisar esses últimos meses e focar no que há de bom neles.

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