Quarentena

segunda-feira, abril 06, 2020


Queria dar outro título para esse post, mas é inevitável, vai cair no óbvio.

Eu parei de escrever por aqui porque voltei bem forte com o hábito de escrever no diário, achei um horário que tem funcionado super bem e tem fluído.
Fiquei relutante em escrever sobre esse período por lá, acho que se eu não encarar algo de frente pode ter chances de isso não estar acontecendo... e talvez mesmo que inconscientemente, tivesse o risco de que eu não queria aceitar o que estava acontecendo. Mesmo que eu esteja tranquila, porque estou, bem tranquila até. A vida segue bem.

Hoje, ouvindo Matt Corby, eu me peguei pensando no dia do show dele. E eu nunca escrevi aqui, mas por céus, eu fui num show do Matt Corby! (ou eu já escrevi aqui? agora buguei).
Eu e Debs já tínhamos a nossa passagem para viajar comprada, mas não tínhamos um roteiro fechado, haviam duas opções, começar por x e terminar por y, ou vice-versa. O que determinou todo nosso roteiro foi justamente o show do Matt Corby que rolaria dia 29 de janeiro, logo depois do meu aniversário, em Londres. E eu fico toda feliz pensando que esses momentos, meu aniversário de 2019 realizando um sonho, seguido do show do Matt Corby que era outro sonho, eles aconteceram! São memórias minhas de dias super especiais! E eu fico tremendamente feliz por ter vivido isso.


Hoje, então, percebi que Matt Corby era tudo o que eu precisava ouvir, um dia bem morno. Acabei de acordar de uma soneca da tarde, que há semanas não tirava uma, fiz exercício a noite e ouvir música é tudo o que preciso agora.

Sendo que, ontem foi dia de ouvir Silva. Eu e Debs ficamos umas duas horas na sala cantando várias das músicas dele, suamos tanto! Nos cansamos muito mais! E foi divertissímo!
Especialmente cantar as músicas dos primeiros trabalhos dele, todas de Vista pro Mar, por exemplo rs.

E eu dei o título de quarentena para esse post tão randômico porque é isso que faz a gente seguir bem nesses tempos tão estranhos.
Música. Cantar na sala de casa. E cozinhar.

Sei que gosto de cozinhar e tenho tido a felicidade de me encontrar nesse prazer em diferentes momentos nesse meio tempo.
Uma das vezes foi quando fiz macarrão a dois queijos com a Debs (porque apesar de ter quatro queijos a gente decidiu economizar nos ingredientes pra render mais e assim precisar ir menos ao mercado. ps.: nunca mais fizemos macarrão, os queijos continuam no congelador kkk).

Mas decidimos que não seria só uma comida que faríamos juntas. Seria um jantar em família.
Estávamos cansadas de não colocar uma roupa arrumada, de não ir comer em algum restaurante, de não passar um batom vermelho. Caímos na performance.
Arrumamos a mesa, acendemos a vela, luminária, desligamos as outras luzes, abrimos um vinho, colocamos uma playlist casual, criamos um menu. Fizemos nossa noite.
Foi rápida, mas como foi gostosa!


Le nuit, o restaurante francês da Debs, que servia pão caseiro de mamãe de entrada (com manteiga pois não fizemos pastinha alguma kkk), macarrão dois queijos kkk e brigadeiro!





Drops

sábado, fevereiro 29, 2020

Dia desses coloquei essa imagem acima como wallpaper do meu notebook. Eu sempre uso só ilustrações, as abstratas são as minhas preferidas. Mas sempre vejo fotógrafo que curto liberando foto para ser usada como wallpaper, vejo gente na rua usando no celular e eu acho bonitinho até, quando não é foto da própria pessoa. 

Fiquei me perguntando porque apesar de amar umas fotos que tiro eu nunca as uso como wallpaper, tipo, nunca, nem no notebook nem no celular, só uso ilustração. Então tentei dar uma chance, primeiro eu coloquei uma outra foto, que tirei no mesmo dia dessa acima, em uma noite no alto de Paris, e tinha gostado até, mas quando mudei para essa... Eu amei! Toda vez que ligo meu notebook eu dou um risinho, é legal usar uma foto que seja mais do que um papel de parede.


Essa é a foto que estava antes, quando estava subindo ainda antes de começar a escurecer pela cidade.
Mas não vim hoje aqui movida por isso, e sim pelo final de fevereiro.
Semana passada eu fiquei assustada porque já havíamos passado da metade do mês e eu precisei ir escrever sobre isso, porque eu não conseguia parar de pensar no que eu tinha feito depois do meu aniversário, o que? Eu não sabia.

Escrevendo eu vi que fiz muita coisa, muita coisa mesmo, mas tudo coisinha pequena. Coisas mais que ocuparam apenas uma parte do meu dia, que não me consumiram muita energia.
Agora fevereiro se acaba de vez e eu continuo, apesar de tudo, sentindo que não fiz nada.

Eu trabalhei em várias pequenas coisas que me ocuparam e fui avançando aos poucos, mas não sinto que avancei muito em nenhuma delas.

Continuo carregando a eterna culpa da dissertação, que não avancei o suficiente, e de fato, minha concentração estava péssima nessas últimas semanas, então eu produzi bem menos do que gostaria mesmo. 

Me viciei em novos doramas que consomem toda minha energia mental, pois passo o dia pensando que gostaria de estar vendo mais um episódio.

Sigo acompanhando fielmente Amor de Mãe, toda noite reunida na sala com a família.

Me viciei pela primeira vez em BBB e entendi porque as pessoas amam acompanhar essa casa. Viciei mais, muito mais do que gostaria e estou tentando me libertar disso, falhando não miseravelmente mas quase rs.

Acaba que esse combo noturno de Amor de Mãe + BBB quebrou minha rotina noturna e praticamente não leio mais a noite, o que acho bem ruim, para ser honesta, porque esse é um hábito que me faz muito bem e que gosto de ter na minha rotina.

Parei de cozinhar as minhas comidas, não sei porque, mas agora nessa última semana estou retomando com isso.

Não sei se sai e vi amigos, se aproveitei dias com minha família fora de casa. Sinto que sim ao mesmo tempo que sinto que não.

Mas acho que essa é a sensação que fevereiro está me deixando ao ir embora, que apesar de saber como o vivi, afinal escrevi (com esse post) duas vezes sobre isso, ao ser perguntada sobre o mês eu vou responder "passou e eu nem vi, né menina?"

Mia

quinta-feira, fevereiro 06, 2020
Hoje resolvi fazer meu devocional no quarto dos meus pais, deitei do lado do meu pai, enquanto ele dormia e comecei a orar. Quando sai do meu quarto em direção ao deles a Mia já ficou atenta e foi atrás, enquanto orava eu senti ela subir na cama e se deitar entre meu pai e eu se alinhando na minha perna.
Quando abri o olho fiquei olhando pra ela e refletindo o quanto essa cachorra é carinhosa.

Ela chegou do nada aqui em casa, uma amiga me ligou e disse "resgatamos as cachorrinhas, você ficaria mesmo com uma?", eu só respondi que sim e pouco tempo depois pegava a Mia no colo com a minha amiga trazendo ela aqui em casa.
Lembro dela acanhada, do pelo todo sujo e embolado, da gente meio sem jeito depois de tanto tempo sem cachorro pensando em tudo que teríamos que comprar e fazer pra ela.

Aos poucos ela foi se acostumando com a gente, criando carinho, achando os cantos preferidos da casa. Conhecemos ela vendo que se assustava com as pessoas, especialmente com homens, que era lerdinha, mas ao mesmo tempo muito esperta.

Mia hoje é muito obediente, ela sabe o que não pode fazer e na nossa frente se mantém correta rs, mas ao mesmo tempo tem uma personalidade fortíssima, rosne frequentemente tentando manter o que é seu, seja seu espaço ou sua comida. Quando não quer, não quer, fim.

Mas o que percebi e continuo a perceber sempre é que desde que Mia entrou nas nossas vidas eu sorrio mais. Todo dia ela tira um sorriso meu. Todo dia.
Eu amo ver ela se abrindo ao dormir, ela abanando o rabo quando vou em direção a ela achando que vou brincar quando na verdade estou só indo na cozinha mesmo. Amo que ela segue a gente por todos os cantos da casa. Amo ela deitada com a cabecinha na pata, mas me acompanhando atenta com o olhar pra lá e pra cá. Amo as cheiradas dela na minha cara de manhã vendo se acordei ou não e tentando me acordar. Amo quando ela espirra do nada em cima de mim.

Detalhes do dia a dia convivendo com ela que me fazem sorrir várias e várias vezes.
São essas coisas que me fazem refletir que a Mia foi a melhor coisa que aconteceu à nossa família nos últimos anos. Eu sonhei com um cachorrinho chegando na minha vida na mesma semana que a Mia chegou, na manhã que acordei não imaginava que fosse acontecer e que seria tão indescritivelmente bom.

Mais um verão

segunda-feira, janeiro 27, 2020
Eu sou empolgada com aniversários e isso não é uma grande novidade para quem me conhece, mas há um tempo eu não sentia toda essa empolgação.
Todo ano eu quero fazer algo especial nesse dia, ano passado eu realizei um sonho, ano retrasado eu fui pra praia, então não quero dizer que eu não estava empolgada, porque sempre estive, só não estava no meu normal de empolgação, tanto é que essas celebrações foram mais intimistas. 

Até que agora em 2020 me veio uma alegria não sei de onde e fiquei realmente ansiosa para o dia 25 chegar e vivê-lo de uma forma especial do início ao fim. Foi o que aconteceu.


Comecei o dia com a minha refeição preferida: café da manhã, um bom café da manhã. Estava tudo delicioso e sai de lá com a barriga bem cheia!


A ideia era seguir para um instituto, mas ele só abria às 13h, ainda tínhamos uma hora para fazer alguma coisa. Como o instituto ficava no Cosme Velho fomos até o Largo do Boticário tirar umas fotos.






Falo no plural porque estava com a minha irmã Ester, que foi essencial para fazer esse dia ter sido tão especial.
Especialmente porque a gente contou com um imprevisto... Ao descermos do ônibus lá em Cosme Velho a Ester se tocou que esqueceu o saco com a compra dela no ônibus. Ela tinha acabado de comprar uma bolsa na feirinha que tava acontecendo no Largo do Machado e ao descer deixou a bolsa no banco do ônibus. Paramos outros 580 que passaram, fomos até o terminal rodoviário do bairro, conversamos com fiscais, tudo para resgatar a bolsa, que no final se deu como perdida mesmo (mas na volta a Ester passou por lá e comprou outra, ela conseguiu para felicidade geral rs). 
Mas uma chateação dessa poderia dar um tom ruim para o dia, aí que digo que Ester, com todo seu alto astral, foi essencial para fazer esse dia ter sido tão especial, leve e alegre. Ter companhia assim faz bem pra vida, né?


Por fim, chegamos no Instituto Casa Roberto Marinho, que contava com exposições de arte moderna, meu período artístico preferido da vida.
Vi uns quadros lindíssimos, mas em especial vi fotografias e uns retratos, coisa que amo!

A parte ruim da visita foi o ambiente assustadoramente branco. É normal eu frequentar lugares onde sou a única negra no Rio de Janeiro, mas lá não era só a cor da pele era algo mais profundo sobre espaço e pertencimento que me causou um profundo incômodo.

Um ponto bom foram dos atendentes, na verdade no decorrer de todo dia, os garçons do café, os motoristas do 580, as vendedoras da feirinha do Largo, parecia que todos sabiam que era meu aniversário e queriam fazer o dia ser bom pra mim, tamanha a simpatia de todos eles. Minha troca com cada um deles deve ter sido menos de 1 min, mas é um detalhe do dia que somando aqui e somando ali faz toda a diferença nele todo né? 




O jardim, todo projetado por Burle Marx é uma coisa a parte também. Sempre gostoso estar em contato com o verde né?
Sem contar que a semana toda foi chuvosa e cinzenta no Rio de Janeiro, mas justo nesse dia um céu azul se abriu e eu juro que andando na rua, olhando pra cima, agradeci a Deus por esse presente. Como amo um céu azul.



Depois fomos em uma confeitaria vegana comer um docinho. O brownie de maracujá e a cheesecake estavam deliciosos! Além disso, o suco de amora estava doce naturalmente no ponto. Amei ter finalizado esse passeio por lá.



Viemos para casa e...


Tinham feito uma festinha surpresa pra mim, só pra gente da família mesmo, com bolo de donuts e tudo! Eu amei! 
Comi e sorri um pouco na sala com a minha família.

Tirei uma sonequinha de 20 minutos, pois meus olhos não se aguentavam abertos e depois fui finalizar o dia só com os meus amigos de Caxias num restaurante aqui perto de casa.
Queria que tivesse ido mais alguns dos meus amigos, mas ainda assim foi especial demais.


Terminei o dia 25 cansada demais, mas com aquela alegria e empolgação iniciais ainda mais latentes dentro de mim. Eu recebi cada mensagem poética, querida, sincera, intimista... Palavras que deram cor ao meu dia e me fizeram sorrir várias vezes enquanto ia lendo. O melhor de viver é ter com quem compartilhar essa experiência louca né?

Ansiosa pelo meu próximo verão.


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