Conceito de amizade

quinta-feira, dezembro 20, 2018
Cresci cercada por amigos.
Aprendi o que é amor com amigos.
Nunca me imaginei sem eles do meu lado.

De uma realidade leve e livre de um mundo atroz eu construi o meu conceito de amizade, desde a primeira infância.
A ideia que se passa de amizade é sobre algo constante e forte, que se sustenta por si e sempre.

Quanto mais cresci e vi o mundo com mais pessoas esbarrei, mais aberta fiquei para me deixar ser conhecida e afetada pelo outro. Para mim, é a relação mais rica de todas.

Com tantas pessoas aprendi o que significa diversividade... de almas, pensamentos, sentimentos e vivências.

Carrego o apego dentro de mim, mas tive que aprender a carregar a amizade de forma pura e genuína.
Tive então meu momento com ela a sós, para que eu pudesse ser afetada por mais esse esbarro da vida e pudesse amadurecer.

Sai dessa conversa definitivamente mudada. Amizade é uma expressão que se manifesta de diferentes formas, todas lindas a sua maneira.

Através de uma mulher que conheci no quarto de um hostel em São Paulo, em um fim de dia melancólico depois de uma crise de choro em pleno MASP. Amizade que se fez quando fomos comer hamburguer a noite juntas e me fez sorrir diferentes vezes, até que eu ficasse bem sem nem perceber.

Através de uma conversa na fila, que se consolidou no final da noite comendo pizza e jogando conversa fora. E que se mantém através de viagens entre Rio e Minas, passando por São Paulo, sempre que possível, porque amizade é isso, não?

E se mostra através de amigos que parecem que sempre estiveram lá, que se fosse contar seria coisa demais. Amigo que parece carregar uma parte de você, de tanto que te viu em diferentes fases, te ajudou a passar por elas, te trouxe mais para perto, dele, do mundo, de você mesmo.

Todas são formas de amizade. Essa última por mais intensa e persistente, me parece a mais difícil de encarar.

Com ela, lá naquela conversa com a amizade, eu precisei aprender que as pessoas mudam de uma forma, que mesmo companheiras e sempre ao nosso lado, um dia ou num percursso de alguns dias, eu posso olhar e não saber exatamente quem está caminhando agora comigo. Se chama processo e é lindo, mesmo que as vezes doloroso do lado de cá.

É considerar o momento do outro, dar o respiro que ele precisa, entender que seu espaço naquela vida pode não ser mais do tamanho de antes, que agora ele continua existindo mas como dá. As vezes o espaço é longe, mas naquele momento é o melhor mesmo. Respeitar.

Apesar de intenso e as vezes doloroso, acho que nessa amizade que se encontra a alma pura e genuína desse conceito, aquele laço inexplicável que se mantém apenas pelo querer de ambas as partes e que percorre anos de forma persistente. Apesar do novo tamanho de espaço, da distância, das mudanças a compreensão e intimidade se mantêm, por conta da alma, desse laço inexplicável.

Pode ser que nenhuma das partes volte a encarar essa alma de novo, frente a frente. Que nunca mais se faça presente de forma quase pálpavel esse laço, mas a graça é ele persistir com a consciência dos amigos, porque isso por si só já faz bem.

Pode ser que isso torne a acontecer, que haja esse encaramento frente a frente com a consciência de ambos sendo feita de forma clara e graças a maturidade e o respeito dado esse laço seja visto com novos olhos, ainda mais encantador a sua maneira, com admiração pelo caminho tomado para se chegar aonde se está agora.
Dessa vez juntos apesar de não como antes. E tudo bem.

Minha canção em 2018

terça-feira, dezembro 11, 2018

Como de praxe o spotify liberou a retrospectiva do ano e lá fui eu ouvir a minha playlist com as músicas que mais escutei esse ano. Que turbilhão que veio.

Tinha música latina, e lembrei que esse ano eu fiz finalmente um mexicano no meu aniversário, lá em janeiro ainda, e terminei a noite dançando música latina com minha irmã na sala.

Tem um compilado de artistas nacionais que me propus conhecer mais, que eu também ouvi muito lá no início do ano, justamente enquanto estava em Buenos Aires e veio à tona meus momentos na minha casinha, onde esses artistas eram tudo o que eu mais ouvia enquanto cozinhava ou limpava a casa.

Várias músicas da playlist de rockezin estavam lá, que era o que ouvia religiosamente no trajeto casa até o centro de Buenos Aires, todo dia de manhã no metrô.


Lembrei do carinho do nosso amigo Caio que comprou o novo álbum do Silva só para deixar tocando no carro quando fomos lá em Minas visitá-lo, e virou nossa playlist da viagem. Então, quando ouço "A cor é rosa" eu vejo o Caio sentado no volante nos levando de um canto ao outro da cidade.

E aí vem Billie Holiday, a artista que mais ouvi no decorrer desse ano, porque em dias chuvosos a gente escuta Billie Holiday e esse ano choveu na maior parte dos meses. A voz dessa mulher foi minha companhia em incontáveis noites não dormidas no hospital.
Lembro que abandonei as 3 leituras que estava fazendo e minhas séries (até hoje não consegui retomar Mad Men), porque tudo que eu fazia era passar raiva de homem, gente branca e a sociedade num geral lendo livro sobre política; mulher, classe e raça; e romance com mulher nessa socidade contemporânea. Então, me entreguei ao mundo ilusório dos YAs e li uns 10 livros nas madrugadas com a companhia de Billie Holiday, para conseguir ver o sol nascer no outro dia estando minimamente bem.

Mas essa mulher também acompanhou eu e Debs na montagem de uns móveis novos aqui pra casa, porque montar móvel pode ser estressante em meio a tantos parafusos e ela nos ajudava a manter a paz.

A primeira música dessa playlsit é Shy, do Leon Brigdes, porque eu ouvi esse homem cantar essa música ao vivo (e até hoje não acredito que fui no show desse ser!) e eu viciei. Do tipo que eu ouvia todo dia no percursso do trem cantando cada sílaba dessa canção com ele.

Eu me pergunto qual a melhor banda que existe e por que é United Pursuit? Foi o segundo artista mais tocado no meu ano e me surpreendeu por não ter sido o primeiro. Foi a banda que me ajudou a manter a sanidade no decorrer dos meses.
Eu tenho a impressão que eles lançam 3 álbuns por ano e conseguem fazer todos serem bons, não sei como. Acontece que esse ano eles lançaram músicas ainda mais introspectivas e mais relacionais que o de costume e era tudo o que eu precisava para conseguir acalmar por dentro.

I’m desperate and I’m weak. I long for the river that’s rushing. I’m empty and in need.
Fill my empty space. Be my one and only.

E sempre vai ter Matt Corby, porque esse homem é a playlist da minha vida. É o único cantor ou banda que sempre tem algum álbum baixado no meu celular. Eu escuto as músicas dele e consigo me ver em diferentes estradas pelo Brasil ou em diferentes vôos. Me acompanhando na estrada Campinas - Rio, ou me acalmando no meio de um monte de relâmpago no céu de São Paulo - Buenos Aires. É de me fazer sorrir demais pensar que ano que vem verei esse homem ao vivo, exatamente no meio de uma viagem.

Existe memória olfativa, memória fotográfica e eu percebi que eu tenho memória musical. Só começar a ouvir uma canção que eu sou levada para o lugar onde ela tocou de fundo enquanto vivia algo.
Lembrei de tudo que me aconteceu em 2018 enquanto ouvia essa playlist que o spotify fez, e aí percebi que vivi coisa demais esse ano. Foi o ano que achei que fosse perder o meu pai, mas também foi o ano que comecei e experimentei muita coisa na vida. Comecei o mestrado, conheci uma amiga de internet ao vivo, comecei o francês, fui para o sul pela primeira vez, e fui parar em Santa Catarina sem querer, me aproximei de muito amigo querido, fiz amigos novos, morei por um tempo sozinha, passei meu aniversário na praia de novo, dei a volta na Lagoa pela primeira vez...

Quero olhar para a fase difícil com reflexão para guardar o que é preciso dali, mas sem apego. Esconder as coisas difíceis que senti só me faria mal, então as trago à tona, as encaro, aprendo o que posso e de resto eu deixo ir. Me apego aos bons sentimentos e especialmente as boas pessoas que isso quero deixar em mim e me fazer acrescentar o quanto der.

Drops

Nesse meio tempo

quarta-feira, setembro 26, 2018
Fiquei muito tempo sem aparecer por aqui. Nesse período eu escrevi uns textos e abandonei na metade, outros terminei e não publiquei, por falta de vontade. Mas comecei um diário, o qual também fiquei dias sem escrever, até que semana passada finalmente voltei à ele, e foi aí que eu percebi algo. Que todos os meus textos até então carregavam uma certa tristeza, angústia e agora eu escrevi genuinamente feliz, mesmo com minhas incertezas de sempre. Então, percebi que muita coisa aconteceu.

Nesse meio tempo eu me apaixonei por Billie Holiday. Montei móveis com minha irmã. Coloquei um filme novo na câmera analógica. Passei por obras (que pareciam infinitas) aqui em casa. Comecei um diário. Li muitos, muitos livros. Me senti bem para retomar, e finalizar, livros que havia abandonado porque mexiam muito comigo. Abandonei livros mesmo. Comemorei o aniversário da minha irmã. Viajei para Curitiba pela primeira vez. Conheci uma amiga da internet de anos. Quase conheci uma amiga de internet de anos. Voltei à Uberlândia, agora com minhas irmãs. Fiz escala 3 vezes em SP, mas não fiquei uma vez sequer por lá. Retomei Jane The Virgin, e me reapaixonei por ela. Comecei a assistir Living Single. Comecei e abandonei outras séries. Revi minha trilogia preferida (Before - sunrise, sunset, midnight). Comecei uma papaleria nova com minha irmã. Tomei coragem para realizar um grande sonho. Terminei um semestre do mestrado. Comecei outro semestre do mestrado. Ganhei minha primeira avaliação do mestrado. Fiz amigos no mestrado. Comecei a planejar uma viagem. Comprei ingresso para um show que é um sonho (realmente um sonho, no sentido literal da palavra sonho) de show na minha vida. Voltei a caminhar e fazer yoga. Parei de caminhar e fazer yoga. Voltei a caminhar. Torci o pé. Queimei um braço. 

Engraçado, que tenho uma amiga (a amiga de internet que eu quase conheci pessoalmente) que troco mensagem por whatsapp, de uma forma que só faço com ela. São vários áudios, longos ou curtos, sobre diferentes assuntos e entre eles tem um que sempre estamos respondendo uma a outra, que trata exatamente sobre o tempo. 2018 está chegando ao seu fim e nenhuma das duas sentiu o tempo passar. Ele vai por nossas mãos de forma fluida o suficiente, para ser quase imperceptível. Mas quando parei para escrever no meu diário e ver que agora, no final de 2018, estou finalmente me sentindo bem, genuinamente bem, eu percebi que coisas aconteceram sim, um tanto delas. Não tirei nenhuma grande conclusão sobre isso, nenhum grande sentido ou mensagem, só percebi e gostei de ter percebido. 


Pessoal

Saudades da gente

domingo, abril 22, 2018
Eu comecei a sentir saudades da gente, e ela insiti em persistir. E eu sei quando ela começou.

O processo de viajar sozinha em si todo é bom, eu gosto. Mas descobri que com o tempo pode bater um momento de solidão, que faz parte e tudo bem, mas no meio desse processo, depois de 12 dias viajando sozinha, com tempo demais e cabeça vaga eu comecei a sentir essa falta. Falta da gente. Especificamente de partilhar, de ter ali do lado, de poder contar no final do dia sobre o dia em si. 
É algo que eu não gosto de dizer em voz alta, porque não tenho muita facilidade em assumir isso, e dizer em voz alta é basicamente assumir. Mas me bateu tão forte que eu falei com as minhas irmãs. Não nesse dia, e essa que é a questão.

Isso tem dois anos. Um ano e alguns meses na verdade. Eu senti a falta da gente há um ano e alguns meses e achei que fosse momentâneo. Fazia parte da solidão que aquele fim de viagem estava me trazendo. 
Mas nesse meio tempo foi o processo que passei de aceitar isso e conseguir falar em voz alta. Eu entendi que na verdade não sinto realmente falta da gente, mas de alguém com quem compartilhar certos momentos. Você representa isso. Agora um certo vazio, que me é estranho. 

Que acarretou com um outro vazio e juntando os dois o futuro me parece formado boa parte dele por um vazio, que não vejo realmente como não me ser estranho. 

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